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I – INTRODUÇÃO

I – Introdução

 A RESTAURAÇÃO DA UNIDADE

Conhecendo o Decreto Unitatis Redintegratio

Há dois anos atrás (2010) celebramos o centenário do movimento ecumênico. O marco inicial se deu com a Conferência Missionária Mundial realizada em Edimburgo (Escócia) em 1910: a primeira grande reunião oficial de cristãos de diversos continentes, com o objetivo comum de estabelecer o diálogo entre as diferentes Igrejas Cristãs. Esta Conferência constituiu-se num ato oficial resultante de um movimento surgido no século XIX no seio das Igrejas protestantes. De lá para cá, com o empenho de muitos cristãos e cristãs, cresceu significativamente a consciência ecumênica. São diversos os encontros, celebrações, estudos e outros eventos promovidos com a finalidade de superar o escândalo da divisão entre os que professam a fé em Jesus Cristo Salvador.

Um dos maiores acontecimento do século XX foi o Concílio Ecumênico Vaticano II. Caracterizou-se como um Concílio “Ecumênico” não só porque foram convidados observadores não-católicos, mas sobretudo porque o Ecumenismo foi um dos seus principais objetivos.  O documento deste Concílio que trata especificamente deste tema é o Decreto Unitatis Redintegratio. Pretendemos apresentá-lo, cada mês uma parte, visando contribuir neste “mutirão” celebrativo do Ano da Fé e do cinquentenário do Concílio Ecumênico Vaticano II.

Um pequeno histórico 

A Restauração da Unidade (no latim, Unitatis Redintegratio) é o título do Decreto sobre o Ecumenismo do Concílio Vaticano II. Vários estudos foram feitos por teólogos especialistas como preparação deste tema que seria debatido durante o Concílio. Três documentos elaborados por três Comissões diferentes foram entregues aos Padres Conciliares. Um deles, sobre a Unidade da Igreja, foi apresentado pela Comissão das Igrejas Orientais; outro, sobre Ecumenismo, pela Comissão Teológica e o terceiro foi um decreto preparado pelo Secretariado para a União dos Cristãos. Destes três documentos, conforme a proposta aprovada pela quase totalidade dos participantes do Concílio no dia 1º de dezembro de 1962, foi elaborado um só Decreto pelo Secretariado para a União dos Cristãos. O texto foi debatido amplamente ao longo de 11 reuniões gerais. Foram 130 discursos e 344 intervenções escritas resultando em muitas emendas. Finalmente, no dia 21 de novembro de 1964, o Papa Paulo VI, tendo 2.137 votos favoráveis e apenas 11 contrários, aprovou definitivamente o Decreto sobre o Ecumenismo e, pela autoridade apostólica a ele confiada, determinou a sua promulgação.

Estrutura do Decreto 

Unitatis Redintegratio está organizado em três capítulos e 24 números, conforme o esquema que segue:

Proêmio: A Restauração da Unidade é dos principais objetivos do Concílio Vaticano II (n. 1).

Capítulo I: PRINCÍPIOS CATÓLICOS DO ECUMENISMO:

  • A unidade e unicidade da Igreja (n. 2)
  • A Igreja Católica e sua relação com os Irmãos separados (n. 3)
  • O movimento ecumênico (n. 4).

Capítulo II: A PRÁTICA DO ECUMENISMO:

  • A união deve interessar a todos (n. 3)
  • A renovação da Igreja (n. 6)
  • A conversão do coração (n. 7)
  • A oração comum (n. 8)
  • O conhecimento mútuo dos Irmãos (n. 9)
  • O ensino ecumênico (n. 10)
  • O modo de expressar e expor a doutrina da fé (n. 11)
  • A cooperação com os Irmãos separados (n. 12).

Capítulo III: AS IGREJAS E DENOMINAÇÕES SEPARADAS

Introdução: As divisões no Oriente e no Ocidente (n. 13)

Parte I: Considerações sobre as Igrejas Orientais

  • Mente e história próprias dos Orientais (n. 14)
  • A Tradição litúrgica e espiritual dos Orientais (n. 15)
  • Disciplina própria dos Orientais (n. 16)
  • Índole própria da Teologia dos Orientais (n. 17)
  • Conclusão: a unidade entre Oriente e Ocidente (n. 18).

Parte II: Igrejas e Denominações separadas no Ocidente

  • As condições em que se encontram (n. 19)
  • A confissão de Cristo (n. 20)
  • O estudo da Sagrada Escritura (n. 21)
  • A vida sacramental (n. 22)
  • A vida com Cristo (n. 23)

Conclusão geral: Caminhar rumo à unidade cristã (n. 24).

No nosso próximo encontro, apresentaremos cada um destes elementos. O Decreto Unitatis Redintegratio foi, sem dúvida, um contributo importante para uma “nova primavera” também no sentido de nos lançar no caminho de recuperação daquela unidade que Cristo expressou em sua oração: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti; que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21).

Celso Loraschi
loraschi@itesc.org.br

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