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I – NOVOS PADRES PARA UM NOVO TEMPO

A partir do Concílio Vaticano II aconteceu uma mudança na visão das relações entre a Igreja e o mundo, o que não podia deixar de ter repercussão na vida dos seminários, centros de formação dos futuros padres. O Concílio dedicou um documento à formação presbiteral, o Decreto Optatam Totius (OT), promulgado por Paulo VI em 28 de outubro de 1965.

O pressuposto teológico deste documento é o Decreto Presbyterorum Ordinis (PO), promulgado alguns meses depois, em 7 de dezembro de 1965.

O Concílio promoveu uma “eclesiologia de comunhão” na qual as relações entre os membros da Igreja não são mais vistas numa perspectiva predominantemente hierárquica e institucional, mas, numa perspectiva carismática, onde os membros ligam-se uns aos outros em virtude da pertença ao Povo de Deus.

Na Constituição Lumen Gentium, sobre o mistério da Igreja, o tema do Povo de Deus é apresentado antes de qualquer outro tema específico (bispos, presbíteros, leigos). Ora, isso marca uma nova compreensão eclesiológica que obriga a repensar a formação, a identidade e a missão dos presbíteros na Igreja.

Na teologia da Presbyterorum Ordinis os presbíteros são ministros da Palavra de Deus para o povo, na qualidade de cooperadores dos bispos: “O Povo de Deus é congregado, em primeiro lugar, mediante a Palavra do Deus Vivo, a qual, com todo o direito, se deve procurar nos lábios dos sacerdotes”, de modo que os presbíteros são “devedores” a todos, porque “têm como dever primordial anunciar a todos o Evangelho de Deus (PO 4). Os presbíteros são ministros dos sacramentos e, de modo particular, da Eucaristia, coração da vida comunitária: “A Celebração Eucarística é o centro da assembléia dos fiéis a que preside o presbítero” (PO 5). Com a força da Palavra e da Eucaristia, os presbíteros são guias do Povo de Deus e, como tais, “reúnem, em nome do bispo, a família de Deus (…) e conduzem-na a Deus Pai, por Cristo, no Espírito (PO 6).

Na sua atividade pastoral, os presbíteros edificam a Igreja, educando na fé os fiéis que lhes foram confiados. Vivem a comunhão com o bispo e entre si, de modo a formar um presbitério unido, para significar a unidade da Igreja a Cristo (PO 7-8).

Para atingir esses objetivos eclesiais e pastorais, o Concílio indica antes de tudo a santidade pessoal, meta à qual cada presbítero deve tender em virtude da sua “especial” configuração a Cristo Sacerdote, Profeta e Pastor.

Nesta perspectiva, a formação seminarística deve tornar o candidato capaz de uma experiência presbiteral no espírito de doação total a Cristo e à sua Igreja no ministério presbiteral.

Esquema do Decreto Optatam Totius

O Decreto Optatam Totius, sobre a formação dos futuros presbíteros, apresenta 22 pontos distribuídos no proêmio, em 7 capítulos e na conclusão. É interessante ter presente este esquema com os seus respectivos subtítulos pois, durante o Ano da Fé, refletiremos cada uma das partes do Decreto:

PROÊMIO

I. REGULAMENTO DE FORMAÇÃO SACERDOTAL EM CADA NAÇÃO

  • Acomodação às condições do lugar

II. PROMOÇÃO MAIS ATIVA DAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS

  • Todo o povo de Deus sinta-se responsável
  • Formação espiritual e intelectual nos seminários menores

III. ORDENAÇÃO DOS SEMINÁRIOS MAIORES

  • Formação com finalidade pastoral
  • Escolha dos superiores e dos professores
  • Exame sobre a reta intenção
  • Seminários comuns a várias dioceses

IV. NECESSIDADE DE CUIDADOS MAIORES NA FORMAÇÃO ESPIRITUAL

  • Vida espiritual aprofundada
  • Educar no sentido da Igreja e na obediência
  • Educação à castidade
  • O domínio de si
  • Tirocínio pastoral

V. REVISÃO DOS ESTUDOS ECLESIÁSTICOS

  • Cultura humanística
  • Orientar para a teologia
  • Os estudos filosóficos
  • Os estudos teológicos
  • Revisão dos métodos didáticos
  • Os estudos superiores

VI. NORMAS PARA A FORMAÇÃO ESTRITAMENTE PASTORAL

  • Educar ao diálogo
  • Educar ao espírito missionário
  • Prática pastoral fora do seminário

VII. APERFEIÇOAMENTO DA FORMAÇÃO DEPOIS DOS ESTUDOS

  • Atualização teórica e prática

CONCLUSÃO

Proêmio

O proêmio da Optatam Totius reconhece que a desejada renovação de toda a Igreja depende, em grande parte, do ministério sacerdotal. Proclama a enorme importância da formação dos sacerdotes, declara alguns princípios fundamentais desta formação, confirma leis já experimentadas na longa tradição pedagógica da Igreja, introduz mudanças correspondentes aos outros documentos do Concílio e a evolução dos tempos e afirma que as recomendações do Decreto servem tanto para o clero diocesano, como para o clero religioso e os de outros ritos.

A leitura da introdução da Optatam Totius revela a grande importância que a Igreja dá aos seminários. Neles encontramos a principal estrutura pastoral de uma diocese e um dos seus bens mais preciosos porque, nele, cresce o futuro da Igreja Diocesana. O seminário é de tal modo importante que mais adiante será chamado pelo Decreto Optatam Totius de “coração da diocese”.

Pe. Vânio da Silva

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