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II – Capítulo I: A IMPORTÂNCIA DO TEMA DA UNIDADE CRISTÃ

Conhecendo o Decreto Unitatis Redintegratio

Proêmio (UR 1)

Na primeira parte desta apresentação do Decreto Unitatis Redintegratio (UR) evocamos um pequeno histórico da preparação do Concílio no que se refere ao tema do Ecumenismo. Todo o processo até a aprovação do Decreto revela a seriedade com que a unidade cristã deve ser tratada. Já na primeira frase deste documento constata-se a grande importância dada a este tema: “Promover a restauração da unidade entre todos os cristãos é um dos principais propósitos do sagrado Concílio Ecumênico Vaticano II”. Este propósito fundamenta-se no fato de que “o Cristo Senhor fundou uma só Igreja”. No entanto, na história do cristianismo apareceram muitas “comunhões cristãs”, cada uma delas apresentando-se como sendo a herança verdadeira da proposta de Jesus Cristo e os membros de cada uma delas considerando-se seus verdadeiros discípulos.

Cristo está dividido?

Na verdade, cada “comunhão cristã” possui pareceres e convicções diferentes constituindo-se em caminhos diversos que poderiam levar à comunhão com Jesus Cristo e ao seu plano de salvação universal: a unidade na diversidade.  Estes diversos caminhos, infelizmente, chegaram ao ponto de quebrar a unidade cristã. A advertência de Paulo diante das facções na comunidade cristã de Corinto permanece viva e atual: “Cada um de vós anda dizendo: ‘Eu sou de Paulo’ ou: ‘Eu sou de Apolo”, ou: ‘Eu sou de Cefas’, ou: ‘Eu sou de Cristo’! Será que Cristo está dividido? Será Paulo quem foi crucificado por amor a vós? Ou foi no nome de Paulo que fostes batizados?” (1Cor 1,12-13). O Decreto UR é enfático no que se refere à divisão cristã e suas consequências:

  1. Contradiz abertamente a vontade de Cristo;
  2. é escândalo para o mundo;
  3. prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda a criatura.

A divisão não é irreversível

O reconhecimento da divisão entre os cristãos é um primeiro e importante passo para a restauração da unidade. A divisão não se constitui numa realidade irreversível. É um desafio a ser abraçado com fé e esperança. O amor de Deus por todos nós, pecadores, é permanente e eficaz. A sua graça atua em nós e através de nós. Nos últimos tempos percebem-se dois sinais que evidenciam claramente a graça divina entre os cristãos separados:

  1. A compunção de coração;
  2. o desejo de unidade.

Sob o impulso desta graça, por obra do Espírito Santo, surgiu e amplia-se sempre mais, o movimento ecumênico que visa restaurar a unidade de todos os cristãos: dos que invocam o Deus Trindade e confessam sua fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador, tanto individual como comunitariamente.
Quase todos os que participam do movimento ecumênico desejam uma Igreja de Deus com as seguintes características:

  1. Una e indivisível;
  2. verdadeiramente universal;
  3. enviada ao mundo inteiro a fim de que o mundo se converta ao Evangelho e assim seja salvo, para a glória de Deus.

Movido por este desejo de restaurar a unidade entre todos os cristãos, o Concílio oferece “os meios, os caminhos e as formas com que eles possam corresponder a esta vocação e graça divina”. É o que trataremos a partir do próximo encontro.

* * *

Para uma espiritualidade ecumênica

Palavras do beato João Paulo II,
no Dia do Perdão do Ano Santo de 2000
(em 12 de março de 2000):

“Por causa daquele vínculo que nos une uns aos outros dentro do Corpo místico, todos nós, embora não tendo responsabilidade pessoal por isso e sem nos substituirmos ao juízo de Deus – o único que conhece os corações – carregamos o peso dos erros e culpas de quem nos precedeu. Reconhecer os desvios do passado serve para despertar as nossas consciências diante dos compromissos do presente, abrindo a cada um o caminho da conversão.

Perdoemos e peçamos perdão! Enquanto louvamos a Deus que, no seu amor misericordioso, suscitou na Igreja uma maravilhosa messe de santidade, de ardor missionário, de total dedicação a Cristo e ao próximo, não podemos deixar de reconhecer as infidelidades ao Evangelho, nas quais incorreram alguns dos nossos irmãos, especialmente durante o segundo milênio. Pedimos perdão pelas divisões que surgiram entre os cristãos, pelo uso da violência que alguns deles fizeram no serviço à verdade, e pelas atitudes de desconfiança e de hostilidade às vezes assumidas em relação aos seguidores de outras religiões.

Confessamos, com maior razão, as nossas responsabilidades de cristãos pelos males de hoje. Perante o ateísmo, a indiferença religiosa, o secularismo, o relativismo ético, as violações do direito à vida, o desinteresse para com a pobreza de muitos países, não podemos deixar de perguntar-nos quais são as nossas responsabilidades.

Pela parte que cada um de nós, com os seus comportamentos, teve nestes males, contribuindo para deturpar o rosto da Igreja, pedimos humildemente perdão.

Ao mesmo tempo, enquanto confessamos as nossas culpas, perdoamos as culpas cometidas pelos outros em relação a nós. No decurso da história, inúmeras vezes os cristãos sofreram maus-tratos, prepotências, perseguições por causa da sua fé. Assim como as vítimas dessas injustiças perdoaram, de igual modo perdoamos também nós. A Igreja de hoje e de sempre sente-se empenhada em purificar a memória daquelas tristes vicissitudes de todo o sentimento de rancor ou de vingança. O Jubileu torna-se assim para todos a ocasião propícia para uma profunda conversão ao Evangelho. Do acolhimento do perdão divino deriva o empenho no perdão dos irmãos e na reconciliação recíproca”.

Celso Loraschi
loraschi@itesc.org.br

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