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III – CONCÍLIO VATICANO II: NOVA ÉPOCA MISSIONÁRIA

POR QUE UM CONCÍLIO?

O Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965) foi, sem dúvida, o maior acontecimento eclesial do século XX. Sentia-se a necessidade de uma renovação autêntica da Igreja. Quase dois mil anos de história haviam depositado em seu rosto tantas impurezas que estava bastante difícil contemplar sua feição original.

Mas o Espírito renovador, que sopra onde, quando e como quer, suscitou espíritos proféticos que proporcionaram a grande virada. Dentre eles se destaca o papa João XXIII, o homem escolhido por Deus para encaminhar na Igreja universal a renovação que hoje contemplamos em todos os níveis e continentes.

João XXIII foi muito claro: “o mundo está na encruzilhada de uma nova era. É tarefa da Igreja infundir as energias eternas, vivificantes e divinas do Evangelho nas veias do mundo moderno”.

Com a celebração do Vaticano II se consolida, também na América Latina, a ideia e o esforço para implantar um novo modelo de igreja “Povo de Deus” e “toda ela missionária”.

CONCÍLIO UNIVERSAL

Com a presença de 2.500 bispos de todas as partes do mundo e uma notável participação de observadores não-católicos, no dia 11 de outubro de 1962 foi aberto o Concílio Ecumênico Vaticano II.

Os bispos da América Latina, em nível teológico, não foram muito significativos. Falou-se até em Igreja do silêncio. No entanto, o episcopado Latino-americano levou para o Concílio uma grande riqueza de ordem pastoral. Fazendo ouvir as inquietações dos pobres, os bispos do continente sensibilizaram a consciência da Igreja universal para o problema da justiça social.

A presença de bispos do Terceiro Mundo foi muito grande, acabando, em parte, com o predomínio das igrejas antigas e ricas da Europa e da América.

DOCUMENTOS DO CONCÍLIO

Os conteúdos e resoluções conciliares estão em 16 documentos (constituições, decretos e declarações).

Eles contêm a essência do pensamento católico moderno.

Os três documentos mais expressivos do Vaticano II são as constituições:

  • Lumen Gentium (Luz dos Povos): fala da Igreja como “Povo de Deus” e de suas estruturas internas.
  • Gaudium et Spes (Alegria e Esperança): fala do relacionamento da Igreja com o mundo de hoje.
  • “Ad Gentes” (Aos Povos): é o decreto que fala expressamente da atividade missionária da Igreja.

FONTES DE INSPIRAÇÃO

As comissões encarregadas da redação do documento missionário “Ad Gentes” tinham diante de si, para inspirar a elaboração do documento, os seguintes dados:

  • O desenvolvimento do mundo missionário.
  • Os graves problemas que variavam de continente para continente.
  • A busca de independência de muitos povos.
  • O dinamismo mostrado pelas religiões tradicionais e os novos sincretismos.
  • A difícil presença no mundo comunista e muçulmano.
  • O surgimento rápido das igrejas jovens nos chamados “territórios de missão”, com seus próprios bispos, características, exigências, expressões e ritos.
  • A exigência de uma nova fisionomia de missionário, não mais dono da situação, mas servo, assessor…
  • Questionamentos angustiantes estavam também na ordem do dia:
  • O que é salvação? Onde e como se realiza?
  • Trabalhar para fundar uma igreja ou para construir o Reino?

Cada vez mais crescia a convicção de que a missão não devia ser considerada como algo à parte, mas integrada no contexto da eclesiologia da “Lumen Gentium” e da “Gaudium et Spes”.

Tudo isso foi discutido com muito calor, em particular pelos bispos dos povos emergentes, que mais sentiam na própria pele as problemáticas missionárias.

Cresceu a consciência de que a Igreja deveria abrir-se para o mundo inteiro (geográfica e culturalmente), a exemplo do Concílio de Jerusalém, quando, de judaica que era, a Igreja primitiva abriu-se para os países do Mediterrâneo.

EXIGÊNCIAS

As sessões para a aprovação do documento “Ad Gentes” estiveram entre as mais acaloradas do Concílio. As várias redações eram taxadas de abstratas, sem vigor, sem teologia, paternalistas…

A maioria absoluta dos conciliares exigia:

  • que fosse tratado mais profundamente o tema da inculturação,
  • que os missionários não anunciassem um Cristo pré-fabricado,
  • que suprimissem qualquer colonialismo religioso,
  • que estimulassem o diálogo com os não-cristãos.
  • que a vocação “ad gentes” fosse mais valorizada na Igreja,
  • que fosse valorizada a participação dos leigos, como protagonistas, na atividade missionária.

Em resumo, sentiam a necessidade de dar um forte impulso missionário à Igreja toda, já que, como seria definido, “ela é por sua natureza missionária”.

PARA DIALOGAR E AGIR

  1. Quais são os documentos do Concílio que mais interessam as Missões além fronteiras?
  2. Quais foram as preocupações dos conciliares na elaboração do decreto “Ad Gentes”?
  3. Houve reposta a estas preocupações até o dia de hoje? Quais?

Pe. Paulo De Coppi, PIME

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