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III – Capítulo I: OS PRINCÍPIOS CATÓLICOS DO ECUMENISMO

Conhecendo o Decreto Unitatis Redintegratio 

1. A unidade e a unicidade da Igreja (UR 2) 

Duas palavras afins sintetizam o primeiro princípio católico do Ecumenismo, segundo o Decreto Unitatis Redintegratio: unidade e unicidade. Em outras palavras, a Igreja se caracteriza pela unidade entre todos os seus membros e pela qualidade de ser única. Este princípio fundamenta-se no amor de Deus Pai para conosco ao enviar o seu Filho ao mundo a fim de regenerar e unificar todo o gênero humano.

1. Jesus veio para regenerar: “Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: ele enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos a vida por meio dele” (1Jo 4,9).

2. Jesus veio para unificar: “Ele é a cabeça do corpo que é a Igreja; é o princípio, o Primogênito dentre os mortos, de sorte que em tudo tem a primazia. Pois Deus quis fazer habitar nele toda a plenitude e, por ele, reconciliar consigo todos os seres, tanto na terra como no céu, estabelecendo a paz, por meio dele, por seu sangue derramado na cruz (Cl 1,18-20). Jesus entregou sua vida “para reunir os filhos de Deus dispersos” (Jo 11,52).

Três marcos que sinalizam o caminho da unidade

 1. A oração: Chegando a hora de oferecer-se no altar da cruz, Jesus dirigiu ao Pai o pedido pela unidade de todas as pessoas que nele creem: “Para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste… Que eles sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos…” (Jo 17,31-23).

2. A Eucaristia: Jesus instituiu o admirável sacramento da Eucaristia, pelo qual a unidade da Igreja é significada e realizada.

3. O mandamento do amor: No contexto da última ceia, após lavar os pés dos discípulos, deu-lhes o mandamento do amor mútuo, dizendo: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34).

O Espírito Santo, a unidade e a unicidade da Igreja

A fim de que os discípulos entendessem e fossem guiados em toda a verdade, Jesus prometeu-lhes o Espírito Santo, Defensor e Fonte de Vida (Jo 16,7.13). Após a sua morte, ressurreição e ascensão, Jesus derramou o Espírito e, por ele, chamou e congregou, na unidade da fé, da esperança e da caridade, o povo da Nova Aliança, que é a Igreja.

1. A Igreja caracteriza-se por um modo novo de relacionar-se, na unidade, como admoesta a cara aos Efésios: “Com toda humildade e mansidão, e com paciência, suportai-vos uns aos outros no amor, solícitos em guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4,2-3).

2. A Igreja caracteriza-se por um novo modo de ser, a unicidade: “Há um só corpo e um só Espírito, como também há uma só esperança à qual fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, acima de todos, no meio de todos e em todos” (Ef 4,4-5). Com efeito, “todos são filhos de Deus pela fé no Cristo Jesus. Todos vós que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo” (Gl 3,26-27). Nele e por ele supera-se toda divisão, seja de raça, de sexo ou de classe social: “Não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28).

A maravilhosa comunhão entre os fiéis é obra do Espírito Santo que enche e governa a Igreja e une todos intimamente em Cristo. Ele é o Princípio da unidade da Igreja, o distribuidor de todas as graças e de todos os ministérios: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos” (1Cor 12,4-6).

O Colégio dos Doze

Jesus outorgou ao Colégio dos Doze o tríplice ofício, conforme os Evangelhos de Mateus (28,18-20) e de João (20,1-23):

1. O ofício de reger: “Foi-me dada toda autoridade no céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações… Como o Pai me enviou também eu vos envio”.

2. O ofício de ensinar: “Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado”.

3. O ofício de santificar: “Batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo… Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão retidos”.

Jesus estabeleceu assim a Igreja em todo o mundo com a promessa de acompanhá-la permanentemente: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

A Pedro, entre os Doze, após a sua profissão de fé, foi-lhe prometida as chaves do Reino dos Céus: “Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,19), em estreita relação com a comunidade reunida no nome de Jesus (Mt 18,18-20). Jesus reza especialmente por Pedro e confia-lhe a tarefa de confirmar os irmãos: “Orei por ti para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos (Lc 22,32). Após sua tríplice confissão de amor a Jesus, foi-lhe também dada a tarefa de confirmar todas as ovelhas e de apascentá-las em perfeita unidade (Jo 21,15-17). A suprema pedra angular e o pastor de todos será sempre Jesus Cristo. Portanto, a unidade da Igreja é edificada “sobre o alicerce dos apóstolos e dos profetas, tendo como pedra angular o próprio Cristo Jesus. Nele, a construção toda, bem articulada, vai crescendo e formando um templo santo no Senhor. Nele, vós também sois juntamente edificados para serdes morada de Deus, no Espírito” (Ef 2,20-22).

Missão da Igreja

Fundamentando-se nas Palavras do Evangelho, acima referenciadas, a Igreja procura viver o que Jesus quer, em contínuo crescimento sob a ação do Espírito Santo, cumprindo a missão de:

1. pregar fielmente o Evangelho;

2. administrar os sacramentos;

3. governar amorosamente através dos Bispos, sucessores dos Apóstolos,  e do Papa, sucessor de Pedro.

Através da missão da Igreja guiada pelo Espírito Santo, o próprio Jesus realiza a comunhão na unidade:

1. na confissão de uma única fé;

2. na comum celebração do culto divino;

3. e na fraterna concórdia da família de Deus.

Deste modo, a Igreja se qualifica como único rebanho de Deus, “erguida como sinal entre os povos” (Is 11,10), anunciadora do Evangelho da paz para todo o gênero humano: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura” (Mc 16,15). A Igreja cumpre sua missão com a consciência de ser peregrina em esperança rumo à pátria eterna, pois Jesus Cristo “nos fez nascer de novo para uma esperança viva, para uma herança que não se desfaz, não se estraga nem murcha, e que é reservada para vós nos céus…” (1Pd 1,3-9).

O mistério sagrado da unidade e da unicidade da Igreja tem como modelo e princípio a Santíssima Trindade – um só Deus em três pessoas: Pai e Filho no Espírito Santo.

Celso Loraschi
E-mail: loraschi@itesc.org.br

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