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III – A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

A Constituição pastoral Gaudium et Spes – GS, logo no 1º capítulo assume seu posicionamento em defesa da dignidade da pessoa humana. Movido pela fé e pelas moções do Espírito Santo, o Povo de Deus esforça-se em fazer o discernimento dos acontecimentos históricos, bem como  das aspirações e necessidades humanas, perscrutando os verdadeiros desígnios de Deus. A fé e o Espírito manifestam a vocação integral do ser humano (GS 232).

O Concílio deseja identificar os valores humanos de maior significado para a realização da pessoa humana, em consonância com os valores da fonte evangélica. Os valores humanos, decorrentes da inteligência humana, são intrinsecamente bons, mas, sujeitos à corrupção do pecado, precisam de uma evangélica purificação. Deste modo, o Povo de Deus e a humanidade inteira prestam-se serviços mútuos (GS 233/234).

Toda realidade terrestre está ordenada ao homem como centro e ponto culminante. A Igreja, instruída pela revelação divina, pode oferecer à humanidade o verdadeiro sentido da condição humana, capaz de responder às expectativas e angústias, fraquezas e valores do ser humano, que busca discernir sua autêntica vocação (GS 235/236).

As Sagradas Escrituras ensinam que o ser humano, criado à imagem de Deus, constitui-se em  senhor da criação, não para destruí-la mas para preservá-la em favor do homem e da glória de Deus. Igualmente, Deus criou a pessoa humana não para a solidão mas para a comunhão. Por isso, homem e mulher os criou, decorrendo daí a natureza social da condição humana (GS 237/238).

Criado em seu estado de perfeição, o ser humano extrapolou sua própria liberdade, negando Deus como ser supremo, invertendo a relação criador/criatura. Essa fragmentação original tornou-se  originante  das falhas e limites que marcam a natureza humana, inclinada para o mal, comprometendo o fim último da humanidade e a relação harmônica com Deus, consigo mesma e com a natureza (GS 239).

Decorre daí a luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e trevas, que comprometem o posicionamento humano e a verdadeira liberdade. Deste modo, o pecado impede o ser humano de atingir sua plenitude. Por isso, Deus vem em socorro para libertar o homem pela graça salvífica de Jesus Cristo. Eis a razão última da vida humana que encontra, na revelação, sua vocação mais sublime e, ao mesmo tempo, a consciência de sua profunda fragilidade (GS 240).

Constituído de corpo e alma indissolúveis, o ser humano é chamado a defender radicalmente o valor da vida, material e espiritual, e como tal os valores do corpo e do espírito. Afinal, o ser humano é destinado à ressurreição final no último dia. Decorre daí que a pessoa humana deve superar as más inclinações do coração e as revoltas do corpo para atingir a verdadeira harmonia de corpo e alma. Por sua espiritualidade o ser humano aperfeiçoa o seu espírito e dignifica o seu corpo, templo vivo do Espírito Santo. Nesta intimidade profunda entre Deus e o homem se dá o discernimento humano sobre a vida e a história. O homem não é fruto de uma criação imaginária, mas sonho de Deus, que o plasmou para a imortalidade (GS 242/243).

De fato, pela inteligência humana, o homem se manifesta como ser superior a todas as coisas criadas, revelando nas ciências e nas artes a riqueza de sua criação e a verdade mais profunda de sua existência. É verdade que, em consequência do pecado, o saber humano é limitado e por vezes equivocado, mas sempre superado pela sabedoria do Espírito. Quanto mais sábios forem os seres humanos, mais profundamente humanos serão os destinos da humanidade, num rico intercâmbio entre as nações mais ricas economicamente e outras nações pobres na economia e ricas nos bens culturais (GS 244/247).

Neste prisma conceitual, a Constituição Pastoral Gaudium et Spes situa a importância capital da consciência moral da pessoa humana. Na verdade, o ser humano tem uma lei gravada em seu coração, que é constituinte de sua própria dignidade, levando-o a amar e fazer o bem e evitando o mal. A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do ser humano onde ele está sozinho diante de Deus. A consciência moral se manifesta no exercício do amor a Deus e ao próximo como a si mesmo. Na fidelidade da consciência, cristãos e não cristãos hão de encontrar as soluções para os inúmeros problemas da humanidade, em nível pessoal e social (GS 248).

É pela consciência moral que o homem será julgado pelo Juiz divino quando se torna prisioneiro da consciência errônea ou  quando se busca ardorosamente a verdade e a justiça. A reta consciência moral é sempre uma busca difícil, mas que assegura a verdadeira dignidade humana, na medida em que investiga sempre mais o sentido do bem e da verdade, na busca de soluções justas para o convívio humano (GS 248).

A liberdade essencial da condição humana é o fundamento da dignidade humana. A liberdade, todavia, não é a exaltação do livre fazer, seja do bem ou do mal, mas. antes, o direito de decidir segundo sua consciência moral, orientada pelos valores da fé cristã ou os valores mais nobres das expressões culturais e religiosas dos povos. Quando a liberdade humana está em sintonia com o desígnio divino, a pessoa humana experimenta a perfeição plena e feliz. A liberdade verdadeira é um antídoto ao impulso interno cego, ou à severa coação externa, libertando homens e mulheres do cativeiro das paixões e das dominações históricas. Com o auxílio da graça de Deus, pelo impulso do Espírito Santo, seremos verdadeiramente livres para o bem e a verdade (GS 249).

Diante da dignidade humana, a morte se revela um enigma acompanhado de dor e esperança. Dor pela dissolução do corpo, e esperança pela certeza da vida eterna. A imortalidade é o sentido maior da dignidade humana, revelando-se resposta definitiva à angústia do homem. Por maior que seja o progresso científico e tecnológico, o ser humano tem sede de imortalidade pois, por natureza é semente de eternidade. A ressurreição é o desejo mais profundo que, vencendo os limites do pecado, restitui a plenitude de vida, pela graça e misericórdia de Deus salvador (GS 250).

Pe. Vilmar Adelino Vicente

Um comentário em “III – A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

  1. gostei muito dos seus artigo parabéns, achei interesante a proposta do ano da fé em breve mandarei tambem a minha contribuição para o site

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