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IV – PROÊMIO – A VOCAÇÃO MISSIONÁRIA DA IGREJA

1. A Igreja, enviada por Deus a todas as gentes para ser «sacramento universal de salvação», por íntima exigência da própria catolicidade, e obedecendo a um mandato do seu fundador, procura incansavelmente anunciar o Evangelho a todos os homens.

Já os próprios Apóstolos em que a Igreja se alicerça, seguindo o exemplo de Cristo, «pregaram a palavra da verdade e geraram as igrejas». Aos seus sucessores compete perpetuar esta obra, para que «a palavra de Deus se propague rapidamente e seja glorificada (2 Tess. 3,1), e o reino de Deus seja pregado e estabelecido em toda a terra.

No estado atual das coisas, em que surgem novas condições para a humanidade, a Igreja, que é sal da terra e luz do mundo, é com mais urgência chamada a salvar e a renovar toda a criatura, para que tudo seja instaurado em Cristo e, n’Ele, os homens constituam uma só família e um só Povo de Deus.

Por isso, este sagrado Concílio, agradecendo a Deus a grandiosa obra já realizada pelo esforço generoso de toda a Igreja, deseja delinear os princípios da atividade missionária e reunir as forças de todos os fiéis, para que o Povo de Deus, continuando a seguir pelo caminho estreito da cruz, difunda por toda a parte o Reino de Cristo, Senhor e perscrutador dos séculos, e prepare os caminhos para a sua vinda.

IGREJA = “sacramento universal de salvação”.

Como podemos ver, já em seu proêmio, o Decreto Ad Gentes reafirma que a Igreja é “sacramento universal de salvação”. Esta afirmação está já presente na Lumem Gentium, a constituição dogmática conciliar sobre a Igreja, enquanto os esquemas anteriores davam ênfase triunfalista à concretização histórica da Igreja, perdendo quase de vista sua origem e seu fim. Isso introduz uma descrição da Igreja não mais como entidade societária perfeita, mas como mistério da presença de Deus no mundo como “sacramento, isto é, sinal e instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o gênero humano (LG 1)

A nova perspectiva, afirma Estevão Rasquietti, procura superar uma visão “institucionalista” da Igreja, para apelar, antes de mais nada, para as dimensões profundas de fé que a constituem. Dessa forma, a instituição Igreja não é mais o centro e o fundamento de todo o discurso, mas ela, enquanto “sacramento”, remete necessariamente para algo mais além de si mesma, ao mistério do próprio Deus.

   A essa premissa são associados, no Ad gentes, três elementos estritamente correlatos:

  • as exigências profundas de sua própria catolicidade,
  • a obediência à ordem de seu fundador e
  • a perspectiva que nele, os homens constituam uma só família e um só Povo de Deus.

A missão é um mandato, uma ordem

A missão não é uma opção ou uma livre escolha, mas um mandato, uma ordem que nunca pode ser dissociada de uma perspectiva universal. Aqui nos cabe lembrar que isso não constitui para a Igreja um mero ideal abstrato, mas o grande projeto histórico de Deus para com a humanidade, o qual encontra, no mistério trinitário, o seu fundamento, o seu modelo e o seu último fim: “O próprio Deus” (GS 24)

Paulo, dirigindo-se aos coríntios, escreve: “Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês” (2Cor 13,13).

A missão das três pessoas

A Igreja fundamenta-se nessa verdade e acrescenta que todas as ações de Deus, em favor da humanidade, são feitas pelas três pessoas em comum, embora ela atribua ações particulares a esta ou aquela Pessoa Divina.

Fala-se, portanto, do Pai como criador de tudo o que existe; do Filho como salvador e redentor e do Espírito Santo como santificador e impulsionador da Igreja em sua missão através dos séculos.

Nós somos simplesmente instrumentos desse amor que já está agindo nos povos e culturas. Portanto, a nossa vida de comunhão profunda com a Fonte é extremamente importante para a missão. Encerro mais esse breve capítulo de reflexão sobre o decreto conciliar Ad Gentes, propondo o que diz o Apóstolo João ao falar do Mestre de Nazaré, com quem teve uma extraordinária convivência, para revivermos em nós a experiência dos apóstolos, os primeiros escolhidos por Jesus e associados na grande obra missionária que Ele havia recebido do Pai. Eis o que nos diz esse grande amigo do Jesus e autor do IV Evangelho:

1- Aquilo que existia desde o princípio,
o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos,
o que contemplamos e o que nossas mãos apalparam
da Palavra da Vida.

2- vida esta que se manifestou,
que nós vimos e testemunhamos,
vida eterna   que a vos anunciamos,
que estava junto do Pai
e que se tornou visível para nós,

3- isso que vimos e ouvimos,
nós agora vos anunciamos,
para que estejais em comunhão conosco.
E a nossa comunhão é com o Pai
e com o seu Filho Jesus Cristo.

4 – Nós vos escrevemos estas coisas,
a fim de que a nossa alegria seja completa (1Jo 1,1-4).

A experiência do amor de Deus leva-nos necessariamente ao amor para com os irmãos. Quem separa os dois amores é qualificado de mentiroso pelo mesmo evangelista João.

Para refletir e agir

  1. 1-     Afinal, o que  significa: a Igreja é “sacramento universal de salvação?”.
  2. 2-     Qual é a missão de cada uma das três pessoas da SS. Trindade?

Pe. Paulo De Coppi – PIME

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