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V. Capítulo I – PRINCÍPIOS DOUTRINAIS

Desígnio do Pai

2. A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na «missão» do Filho e do Espírito Santo.

Aqui temos, em síntese, toda a doutrina conciliar sobre a missão. Trata-se de uma grande revolução. A primeira novidade está na palavra “natureza”, que quer dizer “essência”: a Igreja é missionária por sua “essência”, porque este “desígnio brota do ‘amor frontal’, isto é, da caridade de Deus Pai”AG2.

A missão vem de Deus, por que o próprio Deus é amor, um amor que não se contém, que transborda, que se comunica que sai de si já com a criação do mundo e, consequentemente, após o pecado da humanidade, com a história da salvação para reintegrar as criaturas na vida plena do Reino.

Jesus falará claramente dessa grande paixão que Deus Pai sempre teve pelos homens e pela sua salvação: “O vosso Pai que está nos céus, não quer que se perca um só desses pequeninos” (Mt 18,14)

Esse transbordar histórico foi chamado de Trindade histórico-salvífica, pois o próprio Deus se auto-envia pela missão do Filho e do Espírito Santo

Este desígnio brota do «amor frontal», isto é, da caridade de Deus Pai, que, sendo o Princípio sem Princípio de quem é gerado o Filho e de quem procede o Espírito Santo, quis derramar e derrama ainda a bondade divina, criando-nos livremente pela sua extraordinária benignidade e, depois, chamando-nos gratuitamente a partilhar de sua própria vida, glória e felicidade »  

Um só povo

Aprouve, porém, a Deus chamar os homens a esta participação em sua vida, não só de modo individual e sem qualquer solidariedade mútua, mas constituindo-os num Povo no qual os seus filhos, que estavam dispersos, se congregassem em unidade (7).

E Deus nunca abandonou seu povo com quem renovou sua aliança através de:

Abraão: “Em você todas as famílias da terra serão abençoadas (cf. Gn 12, 1-3)

Moisés : “Eu vi muito bem a miséria do meu povo…ouvi seu clamor contra os opressores… Por isso, vá. Eu envio você ao faraó para tirar do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Ex 3,7-10)

Isaías chegou a afirmar: “Como um pastor, Deus cuida do rebanho e com seu braço o reúne; leva os cordeirinhos no colo e guia mansamente as ovelhas que amamentam” (Is 40,10-11)

ABBÁ = PAI – Mas foi Jesus quem deu a Deus o nome mais carinhoso: Ele é PAI! Chegou até a chamá-lo de Paizinho. Essa é a novidade sem precedentes em qualquer religião. Assim, Jesus estabelece um novo relacionamento entre Deus e o povo, ou seja, uma unidade e afetividade ainda não vista até aquele momento.

A parábola do Filho Pródigo não deixa dúvida sobre o imenso carinho do Pai para com seus filhos. Vê-se nele um Deus que acolhe e perdoa, nada lembrando o “Deus dos exércitos” do Antigo Testamento. (Lc 15,11-31)

Algumas consequências:

O Concílio Vaticano II, com os seus variados documentos, especialmente o Ad Gentes e a Gaudium et Spes, e mais tarde com a Evangelii Nuntiandi, a Redemptoris Missio e os vários sínodos continentais, desencadearam realmente um novo processo da missão. Novas perspectivas se abrem com a inserção da missão no Mistério Trinitário, não somente em sua origem, mas também em sua fundamentação, em sua motivação, em seu dinamismo, em sua metodologia e em sua sustentação. Nos n. 2, 3 e 4 do Ad Gentes, são explicados os termos das fundamentações trinitárias: desígnio do Pai, a missão do Filho e a missão do Espírito Santo.

É claro, portanto, que a Igreja não é autora e a detentora da missão. Esta última é, antes de mais nada e fundamentalmente, obra de Deus uno e trino. A Igreja continua o caminho missionário, mas não se substitui a Deus. Somente Ele é a fonte da missão. A iniciativa de Deus antecipa, acompanha e leva a termo a atividade missionária. “Nem quem planta nem quem rega é alguma coisa, mas Deus é que faz crescer” (Mt 13, 24-30).

Objetivo da ação missionária

Partindo dessas convicções, é fácil perceber como a atividade do missionário deve ser concebida como o esforço para orientar as pessoas para o encontro com seu Criador, o Deus verdadeiro e único. Ele deve ser a pessoa que realiza a mediação entre o mundo e Deus, isto é, aquele que vai a procura da pessoa necessitada de salvação, seja lá onde estiver, orientando-a novamente para Deus que “quer derramar seu amor infinito em todos os corações”(Rm 5,5). Diante dessa convicção, a nossa primeira atitude missionária é a de confiarmos em Deus. Mais nele do que em nosso trabalho ou nos resultados obtidos.

PARA DIALOGAR E AGIR

  1. De onde se origina a Missão?
  2. Depois do pecado, Deus Pai mostrou seu amor incansável pela humanidade. Como se deu isso?

Pe. Paulo De Coppi – PIME

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