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IV – Capítulo I: A IGREJA CATÓLICA E SUA RELAÇÃO COM OS IRMÃOS SEPARADOS (UR 3)

O segundo aspecto que o Decreto Unitatis Redintegratio reflete dentro do capítulo referente aos “Princípios Católicos do Ecumenismo” é a relação dos Irmãos separados com a Igreja católica. O primeiro aspecto tratou da unidade e da unicidade da Igreja.

Dissensões desde os primórdios 

A Igreja é una e única.  No entanto, desde os primórdios surgiram divisões como se constata claramente na advertência de Paulo à comunidade cristã de Corinto: “Ouço dizer que quando vos reunis como igreja, tem surgido dissensões entre vós” (1Cor 11,18). Também alerta as comunidades da província da Galácia a respeito das “pessoas que perturbam querendo corromper o evangelho de Cristo” (Gl 1,7).

É nos séculos posteriores, porém, que aparecem as dissensões mais amplas e profundas, a ponto de levarem muitos cristãos a se separarem da plena comunhão da Igreja católica, não sem culpa de pessoas de ambas as partes.  Estas separações, certamente, não são irreversíveis. São atualmente desafios que interpelam a consciência cristã no sentido de buscar todos os meios para a reintegração da unidade querida por Jesus Cristo.

Já existe uma certa comunhão

Todos os que hoje nascem nestas comunidades cristãs separadas, a Igreja católica os abraça com reverência e amor. Embora ainda não estando na perfeita unidade, todos os que creem em Cristo e são batizados encontram-se numa certa comunhão com a Igreja Católica.

Há discrepâncias entre as denominações cristãs que precisam ser superadas à luz do Evangelho. Elas se manifestam em formas diversas ligadas às questões doutrinais, disciplinares e estruturais.  Por vezes apresentam-se como obstáculos muito graves à plena comunhão eclesiástica. Daí a grande importância do movimento ecumênico que visa superar estes obstáculos.

Para além de todas as dificuldades, a Igreja católica reconhece os não-católicos como Irmãos no Senhor, pois são justificados pela fé no batismo, incorporados em Cristo Jesus e honrados com o nome de Cristãos. Este reconhecimento não é novo. Já o Concílio de Florença de 1439 o manifestou no Decreto Exsultate Deo.

A salvação fora da Igreja Católica

O Decreto UR reconhece também que a Igreja é edificada e vivificada com exímios elementos ou bens que se encontram fora da Igreja católica. E cita os seguintes:

  1. a Palavra escrita de Deus;
  2. a vida da graça;
  3. a fé, a esperança e a caridade;
  4. outros dons interiores do Espírito Santo;
  5. elementos visíveis.

Todos estes elementos provêm de uma única e sagrada fonte que é Jesus Cristo e para ele conduz. Por isso, pertencem por direito à única Igreja de Cristo.

Com estas convicções reconhece-se que os irmãos separados da Igreja católica também realizam ações sacras da religião cristã que produzem realmente a vida da graça, conforme a condição de cada Igreja ou Comunidade.  Estas ações devem ser tidas como aptas para abrir as portas à comunhão salvadora.

Portanto, baseando-se em Concílios anteriores como o do IV Concílio de Latrão de 1215, o Decreto UR reafirma que mesmo as Igrejas e Comunidades separadas são instituídas de significação e importância no mistério da salvação.  É o próprio Espírito Santo que as emprega como meios de salvação.

Povo de Deus = Corpo de Cristo

Os padres conciliares, no entanto, expressam a convicção de que os irmãos separados – tanto os indivíduos como suas Comunidades e Igrejas –, não gozam ainda daquela unidade que Jesus Cristo quis prodigalizar a todos. As Escrituras Sagradas e a Tradição da Igreja professam que Jesus veio regenerar toda a humanidade e congregá-la num só corpo em novidade de vida.

Todos os bens do Novo Testamento foram confiados pelo Senhor Jesus ao Colégio apostólico, tendo à testa Pedro.  Ele os deu a fim de constituir na terra um só Corpo. São membros deste Corpo de Cristo todos os que, de alguma forma, pertencem ao povo de Deus.

Enquanto peregrino nesta terra, este povo é chamado a crescer incessantemente em Cristo. Mesmo que seus membros estejam sujeitos ao pecado, o povo de Deus, incorporado a Cristo, é conduzido suavemente à total plenitude da glória eterna.  São os desígnios misteriosos de Deus em seu infinito amor por todos os seus filhos e filhas.

Celso Loraschi
E-mail: loraschi@itesc.org.br

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