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VII. Capítulo II – A MISSÃO DO ESPÍRITO SANTO

“O mesmo Senhor Jesus, antes de dar voluntariamente sua vida para salvar o mundo, de tal maneira organizou o ministério apostólico e prometeu enviar o Espírito Santo, associando-os na realização da obra da salvação em todas as partes e para sempre”(AG 4).

Antes de lhes dar o Mandato Missionário, Jesus fez aos apóstolos a promessa de revesti-los da força do alto: “Descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas Testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo (At 1,8).       Portanto, somente depois da vinda do Espírito Santo, no dia de  Pentecostes, os Apóstolos sairão para todas as partes do mundo (EN 75).

A força do Espírito lançava assim a comunidade dos discípulos em missão. Superado o medo, as dúvidas e as angústias, eles se encontram no meio de uma multidão poliglota, falando suas línguas, anunciando com sucesso e testemunhando a extraordinária experiência que acabavam de viver. Resultado: em número cada vez maior (At 5,14), as pessoas se convertem e acreditam na Boa Nova de Jesus.

O Espírito, alma da Igreja, não é um espírito fechado, trancado. Com a força do Espírito de Pentecostes, a Igreja saiu dos estreitos limites humanos para lançar-se, progressivamente, até os confins da terra. O Espírito havia transformado os apóstolos em novas criaturas. Agora estavam definitivamente em condição de realizar a missão que Jesus havia-lhes confiado no dia da Ascensão.

No dia de Pentecostes nasceu uma Igreja profética que não se deixa intimidar. Aos que ordenavam que se calassem, respondem: “Quanto a nós, não podemos calar sobre o que vimos e ouvimos!” (At 4, 19-20)

O papa Paulo VI, em sua encíclica Evangelii Nuntiandi (1975), afirma:

“Sem o Espírito Santo, a colaboração do homem na Obra Missionária não vale nada. As técnicas de evangelização são boas; porém, nem as mais aperfeiçoadas poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo. Sem ele, a dialética mais convincente nada consegue sobre o espírito dos homens. Sem ele, os esquemas mais bem estruturados, sobre bases sociológicas ou psicológicas, revelam-se depressa desprovidos de todo o valor” .

Já no Antigo Testamento, o Espírito revela-se, com freqüência, como “Força de Javé” que “reveste, enche, impulsiona” os Enviados, a fim de poderem cumprir a Missão recebida (Juízes).

No Novo Testamento, a partir de Pentecostes, o Espírito aparece como a força do Missionário.

A Pedro, receoso, os ES ordena: “Levanta-te’, desce e vai com eles (três pagãos) sem duvidar, porque fui eu quem os enviou” (At 10,20.

À Igreja de Antioquia, o Espírito ordena: “Separai-me Barnabé e Saulo, para a obra a que os chamei” (At 13,2).

O Espírito Santo é uma pessoa concreta em contínuo diálogo com o Apóstolo: “Levar-vos-á à verdade completa, recordar-vos-á o que vos ensinei” (Jo 15,12s).

O “Ad Gentes” 4- lembra: “Jesus, por meio do Espírito Santo, distribui os carismas para utilidade comum e inspira a Vocação Missionária”.

O Espírito Santo predispõe também a alma a se tornar aberta e acolhedora da Boa Nova e do Reino anunciado; e leva a aceitar e compreender a Palavra da Salvação (EN 75).

O Ad Gentes afirma também que a presença do Espírito Santo não se limita ao interior da Igreja, como se fôssemos os únicos a tê-lo conosco. Ele está no coração de cada criatura, na história de cada povo e religião, inspirando idéias de verdade, de justiça, de paz… Esta convicção abre novos horizontes e possibilidades para a missão. O missionário sabe que o Espírito sempre o antecede e lhe prepara o terreno.

O Espírito santo derruba barreiras

Vejamos:

  • Conversão do primeiro pagão. Neste relato, o Espírito parece estar já em contato com aquele homem que segue a consciência, dá esmolas e… , a certo ponto, o quer salvar, levando-o a procurar o Missionário (Pedro)… a “escutar suas palavras, pelas quais será salvo ele e toda sua família” (At 10). Na ocasião, Pedro dirá à sua comunidade que pede explicações sobre essa sua abertura aos gentios: “Quem era eu para por empecilhos a Deus?
  • Os muros de Jerusalém pareciam proteger a vida dos primeiros cristãos. Mas isso não favorecia a igreja missionária. Com o martírio de Estevão (Cf At.7), os primeiros discípulos fugiram para outras regiões. Filipe, um dos sete diáconos, guiado pelo Espírito, anuncia o Evangelhos aos Samaritanos que acolhem a Boa Nova (At. 8,26-40).
  • A primeira missão oficial da Igreja.  Aberta a brecha, o Espírito Santo continua operando para que a Igreja se estenda cada vez mais. Em Antioquia, outros fugitivos, anunciam o Evangelho em Antioquia e um grande número acolhe a fé e se convertem (cf. At. 11, 19-22).Naquela cidade, o Espírito Santo fará surgir um novo tipo de missão, a primeira missão oficial da igreja, pedindo às lideranças daquela comunidade: “Reservai para mim Barnabé e Saulo para a obra à qual os destinei”(At 13,2).A comunidade entende isso enquanto está reunida em oração e impõe as mãos aos dois missionários a serem enviados. Logo depois, Saulo e Barnabés, “enviados pelo Espírito” e por uma comunidade amadurecida na fé, partem para a sua primeira viagem missionária.
  • De Jerusalém ao mundo – O Espírito Santo ajuda a derrubar mais uma fronteira:A circuncisão. Em Jerusalém, depois de muitos debates os apóstolos declararam: “decidimos, o Espírito Santo a nós, de não vos impor outra obrigação afora das coisas necessárias” (At 15,35). É o sinal verde para que cada povo, cultura e nação pudessem expressar a fé em Jesus Cristo segundo sua própria identidade, sem nenhum colonialismo religioso.
  • Missão “sem fronteiras”. Não era fácil para os Apóstolos obedecer ao mandato de Jesus: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At. 1-8) O ES persuadirá os Apóstolos que, em sua ação, não devem conhecer fronteiras: eles são os “sem fronteiras”. Paulo será o modelo neste “sempre mais além”, ultrapassando os confins geográficos da Ásia. Ele estava sempre “cheio do Espírito Santo” (At 9,17;13,9) que o levará até Roma.A alegria: Quem quiser conhecer o Espírito, olhe para o testemunho de paz e alegria que muitas comunidades oferecem!Lucas frisa a alegria presente na comunidade repleta do Espírito (Cf. At 2,46; 8,8…)

PARA DIALOGAR e AGIR

  1. Que tipo de presença e ação o ES tem na ação missionária da Igreja:
  2. Quais são as maiores e mais difíceis barreiras que a Igreja dos apóstolos superou com a ajuda do ES?
  3. Quais são as barreiras que, ainda hoje, a Igreja deveria derrubar com a ajuda do ES?

Pe. Paulo De Coppi PIME
E-mail: pe.paulo@missaojovem.com.br

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