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V – Capítulo II: O MOVIMENTO ECUMÊNICO (UR 4)

O primeiro capítulo do Decreto Unitatis Redintegratio trata dos Princípios Católicos do Ecumenismo. Já expusemos dois aspectos. O primeiro referente à unidade e unicidade da Igreja. O segundo sobre a relação dos irmãos separados com a Igreja católica. O terceiro, que vamos expor agora, refere-se ao movimento ecumênico.

Impulsionadas pelo sopro da graça do Espírito Santo muitas iniciativas são hoje desenvolvidas em todo o mundo com o objetivo de promover a plenitude da unidade de acordo com o desejo de Jesus Cristo, expresso em sua oração sacerdotal: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti” (Jo 17,21). Estas iniciativas manifestam-se, especialmente através de três modalidades:

  • pela oração,
  • pela palavra,
  • pela ação.

Iniciativas a serem tomadas 

O Concilio exorta a todos os católicos que participem solicitamente deste movimento em favor da unidade dos cristãos, reconhecendo ser este um dos sinais dos tempos. Indica as atitudes pessoais e as iniciativas eclesiais a serem tomadas:

  1. Encetar todos os esforços para eliminar palavras, juízos e ações que não correspondem à condição dos irmãos separados e, por isso, dificultam as relações com eles. Estes esforços devem fundamentar-se nos princípios da equidade e da verdade.
  2. Promover o diálogo iniciado entre peritos e competentes nos encontros de cristãos de diversas Igrejas ou Comunidades. São ocasiões propícias para cada Igreja explicar mais profundamente a doutrina de sua Comunhão. Este diálogo deve proporcionar um conhecimento mais verdadeiro e uma avaliação mais adequada tanto da doutrina como da vida de cada Comunhão. Deve também proporcionar a mútua colaboração em certos serviços com o objetivo do bem comum e, ainda, encontros de oração unânime.
  3. Todos examinem sua fidelidade à vontade de Cristo a respeito da Igreja. A partir deste exame, na medida do necessário, promova-se vigorosamente o trabalho de renovação e de reforma.

Em unidade com os Pastores

Neste empenho pelo movimento ecumênico, os fiéis da Igreja católica devem agir com prudência e paciência, unidos aos Pastores. Deste modo estarão contribuindo para promover

  • a equidade e a verdade,
  • a concórdia e a mútua colaboração,
  • o espírito fraterno e a união.

Neste caminhar, passo a passo, superando paulatinamente os obstáculos que impedem a perfeita comunhão, todos os cristãos possam congregar-se na celebração de uma só Eucaristia e na unidade de uma e única Igreja. Esta unidade foi concedida por Cristo, desde o inicio, à sua Igreja. Cremos que ela subsiste na Igreja católica e esperamos que cresça sempre mais até a consumação dos séculos.

A obra de reconciliação dos que desejam a plena comunhão católica, embora distinta por sua natureza, está relacionada com a ação ecumênica. Ambas procedem da admirável disposição de Deus. Os cristãos católicos devem agir ecumenicamente:

  • dando os primeiros passos em direção aos irmãos separados,
  • rezando por eles,
  • comunicando-se sobre assuntos referentes à Igreja.

A Igreja santa e pecadora

Para uma autêntica ação ecumênica é necessário que a própria família católica se examine, com atenção e sinceridade, a fim de discernir o que nela deve ser renovado e realizado. Sua vida deve ser um testemunho luminoso dos ensinamentos recebidos de Jesus Cristo e transmitidos pelos Apóstolos. Os Padres conciliares manifestam a convicção de que a Igreja católica está enriquecida de todos os instrumentos da graça de Deus. No entanto, seus membros não vivem de modo coerente com a verdade que professam, ofuscando o brilho da fé católica e retardando a plena unidade com os irmãos separados.

Diante desta constatação, faz-se o apelo aos católicos no sentido de empenhar-se constantemente rumo à perfeição cristã, como lembra a carta de Tiago: “A constância deve levar a uma obra perfeita: que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma” (Tg 1,4). Também Paulo, escrevendo aos romanos: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Rm 12,2).

Como experimentou Paulo, o apóstolo dos gentios, a Igreja carrega em seu próprio corpo a humildade e a mortificação de Jesus: “Incessantemente e por toda a parte trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Jesus seja também manifestada em nosso corpo” (2Cor 4,10), pois ele “se despojou, tomando a forma de escravo…, abaixou-se, tornando-se obediente até a morte e morte sobre uma cruz” (Fl 2,7-8).

Portanto, consciente de sua condição de pecadora, a Igreja precisa, no dia a dia, purificar-se e renovar-se, até que Cristo a apresente “gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5,27).

Unidade e diversidade

A unidade não se confunde com a uniformidade. Deve ser conservada a unidade nas coisas necessárias e, ao mesmo tempo, deve ser cultivada a devida liberdade nas diversas formas:

  • de vida espiritual,
  • de disciplina,
  • de ritos litúrgicos,
  • e até mesmo na elaboração teológica da verdade revelada.

Em tudo, porém, deve ser cultivada a caridade: assim se manifestará, cada vez mais plenamente, a verdadeira catolicidade e apostolicidade da Igreja.

Para os católicos, é necessário que reconheçam e estimem, com alegria, os bens verdadeiramente cristãos e que se encontram entre os irmãos separados de nós. São bens provenientes de um patrimônio comum. São riquezas de Cristo acolhidas e testemunhadas na vida de seus seguidores, muitos deles com a efusão de sangue. Deus é soberano e suas obras dignas de admiração. O que o Espírito Santo realiza nos irmãos separados contribui também para a edificação dos católicos. Tudo o que é verdadeiramente cristão não se opõe aos bens genuínos da fé, mas nos ajudam a compreender mais perfeitamente o mistério de Cristo e da Igreja.

A catolicidade é característica própria da Igreja. No entanto, as divisões entre os cristãos impedem a sua plenitude. A ação ecumênica, portanto, é de fundamental importância. Com alegria constata-se que a participação de fiéis católicos cresce dia após dia. Aos Bispos do mundo inteiro recomenda-se que promovam e dirijam prudentemente a ação ecumênica. De fato, a causa da unidade cristã, quando assumida pelos líderes cristãos, avança com muito mais agilidade e eficácia.

Celso Loraschi
E-mail: loraschi@itesc.org.br

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