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VI – Capítulo II: A PRÁTICA DO ECUMENISMO

VI – Capítulo II:

A PRÁTICA DO ECUMENISMO

Conhecendo o Decreto Unitatis Redintegratio

1. A união deve interessar a todos (UR 5)

A sagrada tarefa  de  restaurar a unidade  entre os  cristãos  impõe-se  a  todos  os  membros

da Igreja, tanto aos pastores como aos fiéis em geral. Cada pessoa que confessa a fé cristã assume esta responsabilidade, de acordo com a sua capacidade. Este compromisso expressa-se na vida cristã cotidiana e também nas investigações teológicas e históricas. Este modo de proceder já  manifesta os laços fraternos que unem todos os cristãos e, pela benevolência de Deus, conduz à plena unidade.

2. A renovação da Igreja (UR 6)

A Igreja, como instituição humana e terrena, peregrina neste mundo, necessita renovar-se permanentemente a fim de manter-se fiel à própria vocação. Esta é a razão do movimento para a unidade. Diante de incorreções, em vista das circunstâncias das coisas e dos tempos, quer na moral, que na disciplina eclesiástica, quer também no modo de enunciar a doutrina – distinguido cuidadosamente do depósito da fé –  seja reformado reta e devidamente em tempo oportuno.

Esta renovação tem grande importância ecumênica e já acontece em várias esferas da vida da Igreja, como:

  • os movimentos bíblico e litúrgico,
  • a pregação da Palavra de Deus e a catequese,
  • o apostolado dos leigos,
  • as novas formas de vida religiosa,
  • a espiritualidade do matrimônio,
  • a doutrina e a atividade da Igreja no campo social.

Estas e outras formas de renovação apontam para um futuro auspicioso, prognosticando maiores progressos do ecumenismo.

3. A conversão do coração (UR 7)

A condição necessária para um verdadeiro ecumenismo é a conversão do coração. Junto com a renovação interior, nascem e amadurecem os anseios de unidade. Na carta aos efésios encontra-se este apelo: “Precisais deixar de vossa antiga maneira de viver e despojar-vos da criatura velha… Precisais renovar-vos, pela transformação espiritual de vossa mente, e vestir-vos da criatura nova, criada à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade” (4,22-24). A unidade, portanto, acontecerá na medida em que se processar em cada cristão:

  • a renovação da mente,
  • a abnegação de si,
  • a efusão da caridade.

Pela graça do Espírito Santo

A unidade é fruto da graça do Espírito Santo. O Apóstolo das gentes recomenda: “Rogo-vos que andeis dignos da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros em caridade, e esforçando-vos solicitamente por conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4,1-3). Esta exortação dirige-se hoje, especialmente, aos líderes cristãos, os que receberam a sagrada ordenação com a intenção de continuar a mesma missão de Jesus Cristo que, historicamente, esteve entre nós “não para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28).

Com base nestas recomendações, o decreto Unitatis Redintegratio pede que imploremos ao Espírito Santo a tríplice graça:

  1. da sincera abnegação,
  2. da humildade e mansidão no servir,
  3. da atitude de fraterna generosidade para com os outros.

Somos pecadores

No caminho da promoção do ecumenismo, é necessário o reconhecimento das nossas culpas também contra a unidade. Vale aqui o testemunho de João: “Se dissermos: ‘Não temos pecado’, enganamo-nos e a verdade não está em nós… Fazemos dele um mentiroso e sua palavra não está em nós… Se confessarmos nossos pecados, ele, que é fiel e justo perdoará nossos pecados e nos purificará de toda injustiça” (1Jo 1,8-10). Por isso, pedimos humildemente perdão a Deus e aos irmãos separados, assim como também nós perdoamos aos que nos tem ofendido. Sem o perdão mútuo a unidade não se restabelecerá.

Lembremo-nos todos que quanto mais nos esforçarmos por levar uma vida conforme o Evangelho tanto melhor estaremos exercendo e promovendo a união dos cristãos. Quanto mais unidos estivermos em estreita relação com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, tanto mais fácil e eficazmente conseguiremos crescer na mútua fraternidade.

3. A oração comum (UR 8)

A conversão do coração e a santidade de vida, junto com as orações particulares e públicas pela unidade dos cristãos, são a alma de todo o movimento ecumênico ou também pode ser chamado de ecumenismo espiritual. Possui um significado solene o fato de reunir-se frequentemente para rezar com a mesma intenção pela qual Jesus rezou ao Pai: “Que todos sejam um” (Jo 17,21).

É lícito e desejável que os católicos se associem aos irmãos separados para a oração em comum. Esta intercomunhão, certamente, é um meio muito eficaz para impetrar a graça da unidade, pois é uma manifestação dos vínculos que unem os cristãos das diversas Denominações. Além disso, o próprio Jesus garantiu: “Em verdade, em verdade vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois onde dois ou três estão reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,19-20).

Princípios da intercomunhão

A intercomunhão, no entanto, não pode ser um meio aplicado indiscriminadamente na restauração da unidade cristã. Ela depende de dois princípios:

  • da unidade da Igreja que ela deve significar,
  • da participação nos meios da graça.

É o bispo local que, prudentemente, deve decidir sobre o modo concreto de agir segundo estes princípios. Para isso, deve considerar todas as circunstâncias dos tempos, lugares e pessoas. As conferências episcopais, segundo os seus próprios estatutos ou pela Santa Sé, possuem a autoridade de determinar como a intercomunhão pode ser aplicada.

Celso Loraschi
loraschi@itesc.org.br

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