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VIII. Capítulo II – A OBRA MISSIONÁRIA

A IGREJA SACRAMENTO DE SALVAÇÃO

O Senhor fundou a sua Igreja como sacramento de salvação e enviou seus apóstolos a todo o mundo assim como Ele tinha sido enviado pelo Pai, dando-lhe este mandato: “Ide,pois, fazer  discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado”(Mt 28,19-20)

Deste envio, vê-se claramente quea Igreja nasceu da missão, vive da missão e existe para evangelizar. Este é o coração da Igreja, chamada a cumprir o mandato de Jesus.

Os Padres conciliares afirmam: “A Igreja, enviada por Cristo a manifestar e a comunicar a todos os homens e povos a caridade de Deus, reconhece que tem que levar a cabo uma ingente obra missionária. Após mais de 2000 anos, bilhões de homens ainda não receberam a mensagem do Evangelho”.  AG II-10

Diante disso, o decreto Ad Gentes traça um percurso em Três Etapas para que a missão da Igreja atinja suas finalidades:

  • o testemunho/diálogo,
  • o anúncio/conversão,
  • a formação da comunidade.

O Testemunho

O testemunho de vida deve anteceder e preparar qualquer anúncio explícito do Evangelho, pois, o concílio alerta que o divórcio entre a fé e a vida cotidiana entre os cristãos “deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo” (GS 43)- Para que as pessoas glorifiquem o Pai, é necessário, antes de tudo, que vejam boas obras (cf.AG 11)

 O Documento de Aparecida afirma: “A vida se acrescenta doando-a, e se enfraquece no isolamento e na comodidade. De fato, os que mais desfrutam da vida são os que deixam à margem a segurança e se apaixonam pela missão de comunicar vida aos demais. Vive-se muito melhor quando temos liberdade interior para doá-la.” (360). Essa verdade já motivou inúmeros cristãos a assumirem a missão além-fronteiras.

 O Diálogo

A fim de poder oferecer a todos a salvação e a vida trazida por Deus, a Igreja deve inserir-se em todos os agrupamentos impelida pelo mesmo movimento que levou o próprio Cristo, na encarnação, a sujeitar-se às condições sociais e culturais dos homens com quem conviveu”(AG  10)

Sempre o Ad Gentes declara que “O reto e ordenado exercício da atividade missionária exige que os operários evangélicos se preparem cientificamente para a sua função e para o diálogo com as religiões e culturas não-cristãs”(AG 34).

 Este convite, dirigido aos missionários, encontrou a sua mais clara expressão nos textos que falam da inserção, da inculturação, da assunção da humanidade e de seu mundo cultural diversificado (cf. AG 3b).

A unidade definitiva entre os cristãos e a humanidade como um todo deve ser vista num horizonte escatológico. “Quem apostar em uma unificação das religiões como resultado do diálogo inter-religioso, só poderá decepcionar-se. Essa unificação dificilmente se realizará dentro do nosso tempo histórico. Talvez não seja nem desejável”, escreveu o então cardeal Ratzinger alguns anos atrás. O que era ontem considerado “idolatria”, “heresia”, “fetichismo” ou…, hoje, no interior da Igreja Católica, é cortejado como religião com “lampejos daquela Verdade que ilumina a todos os homens” (NA 2b). Em outros textos do Vaticano II, as religiões não-cristãs são consideradas uma “preparação evangélica” (LG 16, cf. EN 53), “pedagogia para Deus” (AG 3a) ou “sementes do Verbo” (AG 11b, LG 17).

Meios de comunicação. Quanto ao uso dos meios de comunicação para a evangelização, acrescenta Mons. Celli, o problema maior não é tecnológico, mas de método. ”A Igreja, “Mãe e Mestra”, muitas vezes se concentrou no aspecto de Mestra, o objetivo agora é torná-la Mãe”, capaz de dialogar “com os homens e as mulheres de hoje, entrando em sintonia com eles, compartilhando com eles alegrias, esperanças, dificuldades e tensões”.

O anúncio/conversão

Se o povo de Deus, no seu agir, deve estar aberto ao diálogo, tendo em conta também que o Vaticano II respalda a possibilidade da salvação aos seguidores de outras religiões (LG 16), contudo, a missão não consiste apenas no testemunho de vida, assim como o diálogo não se resolve somente na escuta do monólogo do outro, a missão é também caminho para expor uma proposta de vida.

O dever de anunciar explicitamente o Evangelho é imprescindível para o apóstolo que sempre deve aproveitar das ocasiões para falar de Jesus, daquilo que ele é, e de tudo que fez para a construção do Reino. A função da palavra explicita é conduzir o sujeito a dar uma resposta precisa ao chamado de Jesus: “E tu, meu irmão, o que vai fazer de tua vida? Essa conversão é necessária para a conversão” (cf AG 7)

Esse caminho, mais do que simples exposição dos dogmas e dos preceitos, deve ser uma iniciação a toda a vida cristã.(cf.AG 14)

A formação da comunidade cristã

Toda comunidade cristã é convocada a transcender toda identidade particular, cultivando um espírito realmente católico e participando efetivamente da missão universal da Igreja. O ponto final da missão e da evangelização é a “implantação da Igreja”: uma igreja bem estruturada com seus leigos, seus ministros(AG 15), seu próprio clero (AG 16), seus catequistas (AG 17), seus religiosos e religiosas (AG 18).

Portanto, a ação missionária deve se desenvolver de forma tal que as comunidades cristãs jovens, o quanto antes, cheguem a um grau de progresso que as coloquem na condição de procurarem sua autonomia, inclusive econômica (cf.AG 15) e os missionários dêem os passos necessários para que as novas comunidades caminhem com suas  próprias pernas, evitando perigosas dependências.

De diversas formas, o decreto AG e, em seguida, também o documento de Aparecida 278b, afirmam que os cristãos e as comunidades cristãs não participam ainda plenamente da vida de Deus até que não adiram decididamente à sua missão universal, pois cada Igreja não é feita para ficar apenas constituída em suas instituições e em suas estruturas.

Nisso, vê-se claramente que o Vaticano II deixou marcas teológico-pastorais, como pontos de partida, para uma Igreja que se considera por sua natureza missionária, radicalmente local e universal, definindo-se como povo de Deus e sacramento universal da salvação.

Deslocamentos: Nos processos, que forjaram o Decreto Ad Gentes, assistiu-se a um deslocamento do “ter missões” ao “ser missionário”; ao deslocamento de uma Igreja que tem missões territoriais, para uma Igreja na qual a missionariedade representa uma orientação fundamental de todas as suas atividades, e a missiologia, que era um anexo optativo ao campo da pastoral, migrou para o campo da teologia fundamental.

O Concílio procurou articular três núcleos missiológicos: o labor missionário propriamente dito, o diálogo inter-religioso, a colaboração solidária nas grandes questões da humanidade e, graças à vontade salvífica universal de Deus, a salvação além da Igreja Católica.

No fim, o que salva não é o missionário, mas a graça de Deus. No anúncio dessa gratuidade da redenção, muitos deram a vida. O Evangelho da Graça, anunciado por eles, continua apontando para a possibilidade de um mundo para todos.

PERGUNTEMO-NOS

  1. De onde vieram os impulsos para o novo conceito de missão?
  2. Como se caracteriza, em sua Igreja local, a passagem de uma Igreja que tem missões para uma Igreja que é missionária?
  3. Ainda prevalecem os antigos fins da missão: “salvar almas” e “fundar Igrejas”?

Pe. Paulo De Coppi PIME
E-mail: pe.paulo@missaojovem.com.br

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