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III – “AGGIORNAMENTO” – RESPEITO AO CRITÉRIO DA DIVERSIDADE DOS INSTITUTOS

O Concílio reafirma a validade e a significação na vida da Igreja de uma considerável gama de ordens, congregações e institutos de vida religiosa consagrada, surgidos em épocas e por intuições diferentes, mas certamente por inspiração do Espírito Santo. O que todas essas instituições têm em comum, o que constitui o denominador comum elementar de sua identidade é a consciência de um chamado divino, ao qual se busca responder através de uma certa consagração especial, que está intimamente radicada na consagração do batismo e a exprime mais plenamente (PC 1232). Essa certa consagração especial se concretiza, de modo ordinário, através da profissão dos conselhos evangélicos: votos ou promessas, temporários ou perpétuos, privados ou públicos, simples ou solenes. Acrescentem-se a essa simples diversificação das formas de votos mais toda uma gama de novas diversificações concernentes aos ritos, aos modos e tempos de preparação para essa profissão, e tudo o mais que se faz presente nesse campo, e ter-se-á uma visão óbvia de quanto é possível conplexificar o que na sua raiz e origem é muito simples: a consagração da própria vida a Deus e ao serviço da Igreja.

Diversidade dos Institutos

Ordens contemplativas e monásticas

O grande objetivo dos padres conciliares, ao se ocuparem do tema da vida consagrada, era a atualização, a adaptação, a simplificação do que se fora complexificando ao passar do tempo. Eis porque o documento conciliar, mesmo quando considera, dentre as várias formas de vida consagrada, a mais antiga e tradicional delas, que são os “Institutos Inteiramente Votados à Contemplação”, e delas diz que se distinguem como ornamento da Igreja e como fontes de graças celestes, acrescenta também um “contudo”: seu modo de vida seja revisto à luz dos princípios e critérios da atualização” (PC 1240). Se o modo de vida deve ser revisto, certamente é para ser adaptado, atualizado, no sentido de uma simplificação, de uma eliminação mesmo de elementos obsoletos, muitas vezes não mais condizentes com os critérios atuais de cuidados com a saúde e a qualidade de vida, sem prejuízo do que é o essencial dessa vocação: a vida inteiramente votada à oração, ao silêncio e à penitência.

Na mesma linha, o documento expressa o pensamento dos padres conciliares quando fala da “Vida Monástica e Conventual”, essa forma de vida tão antiga e muito presente tanto no Oriente como no Ocidente, e que, ao longo dos séculos, adquiriu grandes méritos tanto na Igreja como na sociedade humana (PC 1244). Recomendando que conservem o que lhes é próprio, que é prestar serviço, a um tempo humilde e nobre, à Majestade divina no interior do mosteiro, recomenda também, com a mesma insistência, que renovem as antigas tradições de beneficência e acomodem-nas às hodiernas necessidades das almas. E, nos casos em que a Regra prevêatividades apostólicas associadas às observâncias monásticas, recomenda que conciliem seu modo de vida com as exigências do apostolado (PC 1245).Essa renovação e adaptação é recomendada a todos, quer se dediquem inteiramente ao culto divino numa vida silenciosa, quer assumam legitimamente obras de apostolado e de caridade, conforme a índole de cada instituição.

Congregações de vida ativa

Em dado momento histórico começaram a constituir-se os institutos apostólicos ou de vida ativa, nos quais a ação apostólica e beneficente pertence à própria natureza da vida religiosa, como o documento reconhece. São as congregações mais conhecidasentre nós, fundadas em grande número no século XIX com o intuito de dar respostas a problemas sociais que começaram a ser vistos mais ao descoberto em consequência da revolução industrial, sobretudo na Europa. A dificuldade nessas instituições sempre foi encontrar um justo equilíbrio entre os exercícios da vida religiosa, concebida nos moldes monacais, e as exigências profissionais do serviço apostólico próprio da respectiva congregação. O problema era, e é, como conciliar a vida contemplativa: os exercícios religiosos, as observâncias, a busca de maior união com Deus – o que constitui a essência da vocação para a vida religiosa – com a vida ativa: o dia a dia na paróquia, na escola, no hospital, no trabalho social e pastoral, no engajamento nas mais diversas formas de presença e atuação em meio à comunidade eclesial e civil.

O documento conciliar não distingue, quando se refere a essa forma de vida religiosa, entre os institutos clericais e laicais, sejam esses últimos de irmãos ou de irmãs. Para todos vale a mesma exortação: harmonizem convenientemente as suas observâncias e os seus usos com as exigências do apostolado. Mas, para que isso seja possível, no concreto de cada realidade, que assume formas múltiplas, impõe-se que a sua atualização respeite o critério da diversidade (PC 1243).

Hoje, quando celebramos com gratidão o início do Concílio há cinquenta anos, e celebramos ao mesmo tempo a abertura de um Ano da Fé, temos sobejos motivos para agradecer a Deus e aos padres conciliares de então o que o Papa João XXIII queria para toda a Igreja e se tornou tão benéfico para a vida religiosa em particular: o aggiornamento, a atualização, a abertura e respeitosa acolhida das realidades diferentes dos institutos. A motivação é sempre a mesma: simplificar o acidental, para deixar em destaque o essencial do carisma próprio e da motivação fundamental dessa opção de vida.

Ir. Clea Fuck
Irmã da Divina Providência
ir.clea@gmail.com

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