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VII – Capítulo II: A PRÁTICA DO ECUMENISMO (cont.)

O segundo capítulo do Decreto Unitatis Redintegratio trata da Prática do Ecumenismo. Já expusemos quatro aspectos: 1. A união deve interessar a todos; 2. A renovação da igreja; 3. A conversão do coração; 4. A oração em comum. Completemos agora este capítulo com mais quatro aspectos.

5. O conhecimento mútuo dos Irmãos (UR 9)

Os cristãos da Igreja Católica devem conhecer a mente dos cristãos das demais Igrejas. Sem esse esforço não há prática ecumênica. Para isso é necessário promover estudos a serem realizados com benévolo ânimo, na busca sincera da verdade. Portanto, os católicos devem preparar-se devidamente, adquirindo um melhor conhecimento do que é próprio dos Irmãos:

  • da doutrina e da história;
  • da vida espiritual e litúrgica;
  • da psicologia religiosa;
  • da própria cultura.

Para que este conhecimento mútuo aconteça são de grande ajuda as reuniões de peritos para tratar, especialmente, das questões teológicas, onde as partes se tratam de igual para igual. Por este método do diálogo aberto e respeitoso chegar-se-á à mútua compreensão do que move a mente e coração dos irmãos das diferentes Igrejas cristãs.

6. O ensino ecumênico (UR 10)

O ensino da Teologia, bem como das demais disciplinas, principalmente as históricas, deve ser realizado também sob o ponto de vista ecumênico. Assim responde com mais exatidão à verdade das coisas. Importa muito que os futuros pastores e sacerdotes estejam instruídos neste espírito ecumênico, de modo especial ao que se refere às relações entre os irmãos separados e a Igreja católica. Desta formação decorre a capacidade de instruir e de formar os demais fieis.

É importante também que os cristãos católicos que assumem obras missionárias nas mesmas terras onde se encontram missionários cristãos de outras Igrejas, procurem conhecer as questões e os frutos que em seu apostolado nascem do diálogo ecumênico.

7. O modo de expressar e expor a doutrina da fé (UR 11)

Ao exprimir a fé católica é absolutamente necessário que se faça a exposição lúcida da doutrina inteira. O falso irenismo contradiz o ecumenismo, pois obscurece o sentido genuíno e autêntico da doutrina católica. No entanto, é preciso cuidar do método de exprimir a fé católica: deve ser explicada profunda e corretamente com o modo e os termos que proporcionem clara compreensão da parte dos irmãos e não se transforme em obstáculo para o diálogo fraterno.

Os teólogos católicos, ao investigarem os mistérios divinos junto com os irmãos separados, devem proceder com base em três atitudes genuinamente cristãs, sem as quais torna-se impossível o diálogo ecumênico. São elas:

  • amor à verdade,
  • caridade,
  • humildade.

Ao comparar as doutrinas, os teólogos tenham a consciência que existe na doutrina católica uma ordem ou hierarquia de verdades. Mediante a fraterna emulação todos possam sentir-se incitados a um conhecimento mais profundo e a manifestar “a insondável riqueza de Cristo, de pôr em luz a dispensação do mistério oculto desde os séculos em Deus…” (Ef 3,8-9).

8. A cooperação com os irmãos separados (UR 12)

Uma explicação necessária: nesta exposição do conteúdo do Decreto Unitatis Redintegratio procuramos ser fiéis aos aprovados na época pelos participantes do Concílio Vaticano II. A expressão “irmãos separados”, atualmente é substituída por termos como “irmãos de outras Igrejas” ou “irmãos de outras comunidades eclesiais que não estão em comunhão com a Igreja católica”. Cada vez mais nos redescobrimos como “irmãos e irmãs em Cristo Jesus” (UUS 42).

Todos os cristãos das diversas Igrejas são chamados a professar perante o mundo inteiro a fé:

  • em Deus uno e trino,
  • no Filho de Deus encarnado, nosso Redentor e Salvador.

A profissão desta fé está intimamente ligada à esperança que não confunde, testemunhada pelo esforço comum e pela mútua estima entre todos os cristãos.

Cooperação no campo social

Em nosso tempo constata-se, cada vez mais, a necessidade da cooperação de todas as pessoas, chamadas a uma obra comum, tendo em vista o bem de toda a humanidade. Esta cooperação no campo social deve ser assumida por todos, mais ainda pelos que acreditam em Deus, máxime pelos assinalados com o nome de Cristo. Deste modo, exprime-se vivamente, os laços que já unem os cristãos entre si e faz resplandecer mais plenamente a face de Jesus Cristo Servo.

Esta cooperação social de diversas igrejas cristãs já se encontra instaurada em muitas nações. Deve ser cada vez mais aperfeiçoada, especialmente nas regiões de maior evolução social e técnica, com os estes objetivos:

  • avaliar devidamente a dignidade da pessoa humana;
  • promover o bem da paz;
  • prosseguir na aplicação social do Evangelho;
  • incentivar o espírito cristão nas ciências e nas artes;
  • aplicar todo gênero de remédios aos males da nossa época, tais como:
    • a fome e as calamidades,
    • o analfabetismo e a pobreza,
    • a falta de habitações,
    • a distribuição injusta dos bens.

Através deste empenho cooperativo no campo social, os cristãos das diferentes Igrejas podem aprender de modo fácil:

  • a conhecer-se melhor mutuamente,
  • a estimar-se mais,
  • e abrir o caminho para a unidade cristã.

Celso Loraschi
E-mail: loraschi@itesc.org.br

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