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IX. Capítulo III – AS IGREJAS PARTICULARES

19. “A tarefa de fundação da Igreja numa sociedade atinge o alvo certo, quando a comunidade dos fiéis, já enraizada na vida social e até certo ponto conformada com a cultura local, goza de alguma estabilidade e segurança. Dotada de um contingente próprio, ainda que insuficiente, de sacerdotes locais, de religiosos e de leigos, possui os meios e instituições necessárias para viver e expandir a vida do povo de Deus, sob a guia do próprio bispo”..

As iniciativas missionária, de que se fala nos Atos dos Apóstolos, não partem de pessoas isoladas, mas de comunidades formadas, ou seja, de igrejas locais. Uns missionários partirão da igreja de Jerusalém para Antioquias, outros da igreja de Antioquia, outros de Éfeso, etc. A comunidade de Antioquia, solicitada pelo Espírito, envia Saulo e Barnabé: “… Separem para mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei” (At. 13,1-4)

Todos os missionários eram ligados a uma Igreja local. O próprio Paulo não obstante as muitas comunidades que formou, ficará sempre ligado à sua comunidade de Antioquia. É na Igreja local que cristo nos convoca e nos envia em missão. Quando uma igreja local deixa de ser missionária, deixa de ser igreja e de ser mãe fecunda em contínua gestação de novos filhos.

O que seria do mundo se os apóstolos tivessem esperado sair da palestina só depois de terem formado bem a Igreja no seu lugar de origem? Para isso Jesus encontrou a solução: chamou Saulo!

“Cada Bispo, viva em sintonia com a Igreja universal e continue se valendo da ajuda dos missionários, para que sua diocese se torne, por sua vez, uma igreja missionária”.

“Também as Igrejas novas, mesmo que sofram de escassez de clero, o mais cedo possível cooperem com a missão universal da Igreja, enviando elas mesmas missionários que anunciem o Evangelho por toda a terra..”.

Diga-se também que a “Igreja Universal não é a soma das Igrejas locais, nem é identificável com a Igreja de Roma. Trata-se de uma dimensão essencial da igreja que se expressa na comunhão entre as igrejas locais”.

Promoção do Apostolado dos Leigos

21. “A Igreja não se acha deveras consolidada, não vive plenamente, não é um perfeito sinal de Cristo entre os homens, se nela não existir um laicato de verdadeira expressão que trabalhe com a hierarquia. O Evangelho não pode ser fixado na índole, na vida e no trabalho dum povo, sem a ativa presença dos leigos. Por isso desde a fundação da Igreja, tenha-se o máximo cuidado em constituir um laicato cristão maduro”.

Leigos além fronteiras

Trata-se de leigos, com forte espírito missionário, que buscam um maior comprometimento na Igreja, fazendo uma corajosa opção de vida para a Missão Ad Gentes, fora de seu país, geralmente apoiando o trabalho de promoção humana dos missionários. Na figura do missionário leigo reflete-se a igreja que caminha, que vai ao encontro de quem mais precisa. Com sua escolha, o missionário leigo renova a comunidade, pois, ao ser enviado como missionário, deixa para trás a consciência de que cada cristão é missionário.

Falando dos Missionários leigos, disseram os Bispos do Brasil:”…eles são um desafio à criatividade e à organização missionária das Igrejas. Devemos conpreendê-los e apoiá-los, selecionar os candidatos e elaborar com eles e com as igrejas interessadas, projetos concretos de serviço missionário…” (Doc.40 – Comunhão e Missão).

Testemunho de um Missionário leigo: “Parto porque a minha solidariedade com os obres é a única forma de tornar crível o amor de Deus pelos homens”.

21.“O principal dever dos homens e das mulheres é dar testemunho de Cristo pelo exemplo e pela palavra, na família, no seu ambiente social e no âmbito da profissão. Importa que neles transpareça o novo homem, criado segundo Deus na justiça e na santidade da verdade. Devem manifestar essa vida nova no âmbito da sociedade e da cultura pátrias, segundo as suas tradições nacionais. Devem conhecer essa cultura, purificá-la e conservá-la, desenvolvê-la segundo as recentes situações e, finalmente, aperfeiçoá-la em Cristo, afastando toda espécie de sincretismo. Essa diversidade na unidade se torna uma riqueza para a Igreja universal”.

O texto de AG 22, “diversidade na unidade“, é bastante conciso, mas alerta sobre os conflitos latentes. O tema encontrará um amplo debate no período pós-conciliar que, entre outras, se preocupou com a realização do diálogo com as novas realidades da sociedade moderna e particularmente com as outras religiões pelas quais havia pouco interesse. Se a salvação estava em ouvir e praticar o Evangelho, dizia-se, por que então gastar tempo para conhecer as outras religiões? Descobriu-se, no entanto, que  também as religiões, tradicionais ou politeístas, têm sido e são para bilhões de seres humanos o caminho através do qual vivenciaram e vivenciam, de certa forma, o mistério de Deus.

Surgem, portanto, algumas perguntas:

  • Será que a graça merecida por Jesus, por intermédio do Espírito Santo, não teria sido ativa também naqueles contextos religiosos?
  • Será que todas elas, uma mais e outras menos, não seriam uma resposta ao “instinto transversal” que chama todos à salvação?

Começou-se então a falar sobre 4 formas principais do diálogo inter-religioso.

A)   O diálogo da vida: esforço por criar e manter um bom relacionamento, amizade e ajuda mútua com as pessoas de crenças diferentes. Há valores comuns que nos permitem dar as mãos para, depois de unidos na comunhão, nos pormos à escuta do espírito que nos abre ao diálogo do amor. Não se trata tanto de vencer, nem tão pouco de convencer, mas de amar. O papa João XXIII dizia aos representantes de outras religiões: “Nós vamos conversar como bons amigos; os teólogos que discutam as teologias”.

B)   O diálogo das obras: unir as forças para construir um mundo mais justo e fraterno, colaborando em iniciativas de justiça e paz, de defesa dos direitos humanos, da luta pelos valores do Reino, comuns a todas as religiões.

C)    O diálogo teológico: aprofundar o conhecimento das próprias tradições e apreciar os valores espirituais das outras religiões.

D)   O diálogo espiritual: partilha das próprias experiências religiosas.

Um verdadeiro diálogo somente é possível na medida em que as pessoas interessadas colocam sobre a mesa todas as suas catas e são disponíveis a acolher as convicções do outro, sabendo que o diálogo pode enriquecer a ambos. Assim, a visão fundamentalista da religião não tem mais futuro. Temos ainda muito para aprender, já que a missão, como diálogo inter-religioso e intercultural está apenas começando. A cultura do diálogo é uma cultura de paz.

João Paulo II: “O diálogo é um caminho que conduz ao Reino e, certamente, dará seus frutos, mesmo se os tempos e os momentos estejam reservados ao Pai”(RMi 57)

Portanto, o cristão deve:

  • Olhar comsimpatia para as religiões não cristãs, sem receio de trair sua própria fé.
  • Apreciar o que de válido se encontra nelas sem minimizar suas ambigüidades e…
  • Considerar essas religiões como verdadeiras tentativas para elevar-se a Deus.
  • Realizar o diálogo inter-religioso, que faz parte da missão evangelizadora da Igreja, sem colocar todas as religiões no mesmo pé de igualdade. (cf RMi 55-57)

NO ENTANTO, depois de tudo que foi dito e respeitando as exigências do diálogo e de uma evangelização inculturada, fica bem claro que a ordem dada por Jesus aos seus discípulos não diminui “Toda autoridade me foi dada  no céu e na terra, ide pois a todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo… Eu estarei sempre convosco…” (Mt 28,18-20)

Paulo VI insistiu:

“Nem o respeito por essas religiões e nem os problemas sublevados nesse sentido podem aconselhar a não proclamar a verdade de Jesus Cristo diante dos não cristãos. Essas religiões não conseguem estabelecer um verdadeiro relacionamento com Deus… embora criem a exigência” (EM 53)

“O homem que quiser compreender-se profundamente… deve aproximar-se de Cristo”(RMi 2) Nossa fé na Igreja de Jesus deve caracterizar-se pelo compromisso de viver e de anunciar o Evangelho, a Boa Nova destinada a todos os homens.

“As multidões têm o direito de conhecer as riquezas do mistério de Cristo. É por isso que a Igreja conserva bem vivo o seu espírito missionário” (RMi 8).

Mas não haveria nisso violação das consciências? Não, afirma PauloVI, pois “o anúncio e o testemunho de Cristo, quando feito no respeito das consciências, não violam a liberdade” (RMi 8).

 QUESTÕES

  1. O que se entende por “protagonismo missionário da Igreja local?”
  2. Como ela se realizava entre as primeiras igrejas cristas
  3. Puebla afirmou: “A América Latina deve dar de sua pobreza”. O que significa praticamente essa afirmação?
  4. Por que devemos nos esforçar para conhecer as outras religiões e dialogar com elas?
  5. “Jesus Cristo é o único Salvador e fora da Igreja não há salvação”. Como interpretar isso?
  6. Quais seriam então os caminhos para o diálogo inter-religioso?

Pe. Paulo de Coppi, PIME
E-mail: 
pe.paulo@missaojovem.com.br

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