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XI. Capítulo VI – A COOPERAÇÃO

Introdução

O último capítulo do AG trata o tema da cooperação e da participação eclesial na ação missionária aos povos, propondo uma idéia de fundo e uma atitude básica para todas as comunidades: evangelizar é dever fundamental do povo de Deus. Com isso, o concílio convida todos a uma profunda renovação interior (cf. AG 35) – O Documento de Aparecida falará de “conversão pastoral e renovação missionária das comunidades(DAp 7.2)

Saliente-se também que a missão da Igreja não deve ser intra-eclesial, com o objetivo de fazer crescer a Igreja, mas um serviço prestado ao homem, visando a construção do reino de Deus: “Ele veio para servir e não para ser servido”(Mt 20,28) Com o Concílio, isso se tornou cada vez mais claro: a Igreja deve tornar-se uma força de renovação para a humanidade, para as culturas e para as próprias religiões. E isso é de responsabilidade de todos os batizados como afirma o AG 35:

Dado que a Igreja é toda ela missionária, e a obra de evangelização dever fundamental do Povo de Deus, este Sagrado Concílio exorta todos a uma profunda renovação interior, para que tomem viva Consciência das próprias responsabilidades na difusão do Evangelho e assumam a parte que lhes compete na obra missionária juntos dos gentios”.

Ao dizer: “Ide pelo mundo inteiro…”, Jesus não fazia um simples convites, e nem propôs uma das tantas coisas que a Igreja devia fazer, mas tratava-se de algo que atingia o próprio coração da Igreja, sua própria razão de ser e, como afirmam os documentos da Igreja, comprometia a todos. Os missionários não podem ser os únicos encarregados de anunciar a Boa Nova, pois a salvação do mundo é tarefa de “toda a Igreja” em seus diferentes níveis. Portanto, o concílio convida todos a uma profunda renovação interior (AG 35). Vejamos:

O COLÉGIO DOS BISPOS COM O PAPA

O Concílio afirmou: “Os bispos fora consagrados não apenas para uma diocese, mas para a salvação do mundo inteiro. Daí surge aquela comunhão e cooperação das Igrejas, hoje tão necessárias para prosseguir a obra de evangelização(AG 38)

“Os bispos devem seguir, com particular solicitude, a atividade missionária. Ela constitui o dever mais sagrado da Igreja” (AG 29)

 João Paulo II, em sua Encíclica RMi, também insistirá nesta questão: “Os irmãos bispos são, comigo, diretamente responsáveis pela evangelização do mundo, quer como membros do colégio episcopal, quer como pastores das Igrejas particulares” (RMi 63)

O DEVER MISSIONÁRIO DO POVO DE DEUS

“Todos os filhos da Igreja tenham consciência viva das suas responsabilidades para com o mundo, fomentando em si um espírito verdadeiramente católico” (AG 36)

“Infelizmente, afirma o missiólogo Estevão Raschietti, a nossa permanente tentação é de olhar para o nosso umbigo, limitando o nosso campo da evangelização ao nosso quintal. Muitas vezes nem isso conseguimos fazer e cuidamos apenas daqueles que já alcançamos. Vivemos num mundo globalizado – queiramos ou não – que nos impele para uma visão mundial dos desafios e das perspectivas para a humanidade. Numa época de globalização como a nossa, não é mais possível pensarmos em termos paroquiais, regionais ou continentais: são pequenos demais”. É por isso que o AG nos pede: “Fomentem em si um espírito verdadeiramente católico”(AG 36).

Claro que nem todos podem partir para uma missão além-fronteiras. Isso responde a uma vocação específica de alguém escolhido. No entanto, todos podem participar dessa missão além fronteiras de três maneiras:

  • espiritualmente, com orações e penitências em vista de tornar fecunda a atividade missionária. O testemunho de Santa Teresinha do Menino Jesus mostra a relação que existe entre missão e oração/contemplação. Isso nos alerta contra aquele ativismo que sempre quer prevalecer.
  • economicamente, para que não faltem os recursos necessários à missão (AG35).Foi o próprio Jesus quem disse: “Tenho compaixão deste povo…”.  Com estas motivações, os missionários construíram milhões de escolas, hospitais, centros sociais para atender os marginalizados da sociedade: pobres,leprosos, etc. “Portanto, a coleta de fundos, no Dia das Missões, constitui um momento importante na vida da Igreja…” (RMi 81).

Atualmente, os missionários se preocupam  muito para que os próprios marginalizados se organizem, tomem consciência de suas capacidades e assumam a solução de seus problemas.

  • vocacionalmente, para que venham a surgir futuros mensageiros do Evangelho dispostos a irem por todo o mundo levar a “salvação”( AG 39- RMi79).

As famílias cultivem o surgimento das vocações missionárias entre seus filhos e filhas.

Por sua vez, os jovens respondam com Isaias: “Eis-me Senhor, estou pronto, envia-me!” (RMi 80)

Tudo isso é fruto de uma boa animação missionária, pois, quando nas igrejas locais os sacerdotes e os leigos estiverem conscientizados de suas responsabilidades missionárias, haverá quem parta para as missões, quem reze para as missões e pelos missionários e que dê as ajudas materiais necessárias, etc.

O COLÉGIO DOS BISPOS COM O PAPA

O Concílio Vaticano II afirmou: “Os bispos foram consagrados não apenas para uma diocese, mas para a salvação do mundo inteiro. Daí surge aquela comunhão e cooperação das Igrejas, hoje tão necessárias para prosseguir a obra da evangelização” (AG 29)

João Paulo II também insistiu nessa questão: “Os irmãos bispos são, comigo,diretamente responsáveis pela evangelização do mundo, quer como membros do colégio episcopal, quer como pastores das Igrejas particulares” (RMi 63)

OS SACERDOTES DIOCESANOS

Os dom espiritual, que os presbíteros recebem na ordenação, prepara-os, não para uma missão limitada e restrita, mas para uma vastíssima e universal missão de salvação até os confins da terra”.(PO, 10)

Em seguida, João Paulo II especifica ainda mais: “Por isso, a própria formação dos candidatos ao sacerdócio deve dar-lhes aquele espírito verdadeiramente católico que os habitue a olhar além dos confins da própria diocese, indo ao encontro da missão universal, prontos a pregar o evangelho em toda a terra”.

Vivendo intensamente a sua espiritualidade missionária, o sacerdote estará em condições de suscitar vocações missionárias e, ele mesmo estará disposto a partir ad gentes” (RMi 67)

Pio XI chegou a afirmar: “Se o sacerdócio não for inspirado na missão, falta-lhe uma dimensão essencial”.

O DEVER MISSIONÁRIO DOS RELIGIOSOS

O AG 40 pede que:

  • Institutos de vida contemplativa para que “fundem casas nas terras de missão…para que, levando aí uma vida acomodada às genuínas tradições religiosas dos povos, ofereçam,entre os não cristãos, um testemunho brilhante..da caridade de Deus como de sua união em Cristo”(AG 40)
  • Institutos Seculares, que vinham crescendo rapidamente na Igreja,para que: “Sua ajuda, sob autoridade do Bispo, fosse, a muitos títulos, proveitosa para as missões, como sinal de uma entrega plena à evangelização do mundo”.(AG 40)

João Paulo II, mais tarde, insistirá para que “As congregações e Institutos,tendam ou não para um fim estritamente missionário, se interroguem sobre sua possibilidade e disponibilidade de alargar a própria ação para expandir o reino de Deus…” (RMi 69b)

O Papa vai além, abrangendo outras forças da Igreja, como:

“Os movimentos eclesiais, quando acolhidos cordialmente, pelos bispos e sacerdotes, nas estruturas diocesanas e paroquiais, representam um verdadeiro dom de Deus para a evangelização e para a atividade propriamente dita…”.

“As associações de laicato missionário e os organismos de voluntariado internacional… sejam aproveitados na missão ad gentes e na colaboração com as Igrejas locais” (RMi 72).

INSTITUTOS MISSIONÁRIOS

Dom Luciano Mendes de Almeida observava:

O crescimento da sensibilidade missionária na América Latina é uma responsabilidade e um grande desafio também para os Institutos com carisma especificamente missionário.

 “Os grandes missionários do passado, dizia Dom Luciano, atuaram como missionários, mas não nos tornaram missionários por nossa vez, já que os institutos especificamente missionários devem inocular no povo o bacilo santo da consciência missionária, oferecendo a essa igreja local a possibilidade de preparar e enviar os seus filhos aos outros povos”.

 A grande declaração Puebla:  “Finalmente chegou, para a América Latina, a hora de intensificar os serviços recíprocos entre igrejas particulares, e de essa se projetarem para além de suas fronteiras, ad gentes. É certo que nós próprios precisamos de missionários, mas devemos dar de nossa pobreza”. (DP 368)

Os bispos declararam também:

Devemos despertar, promover e orientar vocações missionárias, pensando, desde já, em centros ou seminários especializados com estes objetivos”(DP 891

O caminho foi aberto e algo disso aconteceu, mas essas iniciativas foram e são tomadas geralmente à margem da vida da igreja local que ainda não assumiu diretamente significativos compromissos de atividade missionária, como expressão de comunhão e participação na primeira evangelização em outros países.

João Paulo II, na exortação Igreja na América, pediu-nos mais audácia para sermos fieis aos sinais dos tempos.

Encerrando  essas breves considerações sobre o documento conciliar Ad Gentes, quero citar o que escreveu o nosso saudoso papa João Paulo II: “Sinto ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça que beneficiou a Igreja no  século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa”.

PARA DIALOGAR E AGIR

  1. Em que consiste a consciência de uma mais efetiva participação na missão além-fronteiras?
  2. Quais são as razões que dificultam uma maior participação da América Latina na evangelização do mundo?
  3. As Igrejas particulares (dioceses) estão fazendo sua parte?
  4. Como é que sua comunidade vivencia o compromisso coma missão além fronteiras?

Pe. Paulo de Coppi, PIME
E-mail: pe.paulo@missaojovem.com.br

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