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V – MELHOR SELEÇÃO E MAIS EFICAZ

PREPARAÇÃO DOS SUPERIORES DOS SEMINÁRIOS

Para renovar e melhorar a qualidade da formação nos seminários, a atenção deve começar necessariamente pelos formadores. O Concílio, por isso mesmo, propõe aos bispos e as dioceses, um duplo compromisso prioritário: a seleção e a preparação de formadores. Antes de tudo, que os bispos e dioceses selecionem os formadores em número adequado e entre os presbíteros mais aptos para esse ministério tão exigente, convencidos de que o fator que mais repercute no ânimo dos seminaristas é a autenticidade sacerdotal dos seus formadores. Depois, que façam todo o esforço possível para garantir aos formadores uma boa preparação no plano cultural, pedagógico e espiritual. A este respeito a Optatam Totius afirma: “sejam, pois, os superiores e mestres dos seminários escolhidos dentre os melhores, diligentemente preparados por sólida doutrina, adequada experiência pastoral e peculiar formação espiritual e pedagógica” (OT 5).

Todo bispo ou superior religioso, sensível a problemática da formação, reconhece a necessidade de formar formadores, já que os planos de formação mostram-se insuficientes se faltam pessoas preparadas para implementá-los. A formação é algo tão sério que não se pode realizá-la de maneira improvisada. A formação exige uma competência específica. Investir na formação de formadores é investir no futuro da diocese ou da congregação. João Paulo II, referindo-se ao Sínodo de 1990, que tratou sobre a formação sacerdotal, sublinhava “a necessidade de uma preparação especial dos formadores dos seminários que seja verdadeiramente técnica, pedagógica, espiritual, humana e teológica”.

O formador não é o protagonista principal do processo formativo, os protagonistas da formação são o Espírito Santo e o próprio formando. Ao formador cabe a missão de ser um colaborador do Espírito Santo e do formando. Um colaborador, porém, que desempenha um papel decisivo. O Espírito Santo é o verdadeiro criador de um coração sacerdotal e o seminarista o primeiro responsável pela própria formação, mas o formador é quem pode e deve levar o jovem, que ingressa no seminário, a compreender tudo isso, orientando-o para que se abra ao Espírito Santo e colabore com Ele. Não é sem razão que muitas vezes ouvimos dizer: tal formador, tal formação.

Para que se alcance o objetivo de preparar bem os formadores a Optatam Totius considera de suma importância a promoção de “institutos com tal finalidade, ou que ao menos se façam cursos adequados e se realizem, em tempos preestabelecidos, reuniões de superiores dos seminários”. Para responder a esta recomendação muitas providências foram tomadas: a Santa Sé patrocinou a fundação do Centro Internacional para Formação de Formadores ligado a Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, os bispos da América Latina e do Caribe promovem através da OSLAM (Organização dos Seminários Latino Americanos) cursos de especialização para reitores e diretores espirituais; os bispos brasileiros promovem através da OSIB (Organização dos Seminários e Institutos do Brasil), um grande número de cursos para formadores; várias faculdades de teologia criaram cursos de especialização para formadores e acontecem reuniões periódicas entre os formadores da mesma região ou diocese.

A Optatam Totius recorda também a importância decisiva dos professores que atuam nos seminários: “os diretores e professores considerem quanto o êxito da formação depende do seu modo de pensar e agir”. (cf. OT 5). A experiência demonstra que os professores tem muita influência no desenvolvimento da personalidade do futuro presbítero. O Decreto recomenda que professores e formadores dêem um forte testemunho de comunhão e procurem formar com os seminaristas uma verdadeira família que corresponda a oração do Senhor: “que sejam um” (Jo 17,11). Ao bispo, a Optatam Totius pede que ofereça uma atenção especial aos formadores e apresente-se aos seminaristas como verdadeiro Pai em Cristo. (cf. OT 5). Por fim, o número 5 do Decreto apela a todos os sacerdotes para que ofereçam espontaneamente o seu auxílio pessoal ao seminário e o considerem “o coração da diocese”, expressão que é uma das mais belas e fortes de todo o documento. Fica claro que o seminário não é uma responsabilidade apenas do bispo e dos formadores, mas sim de todo o presbitério. Cada padre deveria considerar o seminário não apenas como uma realidade referente ao seu passado, mas também referente ao presente da sua missão sacerdotal porque, afinal, do seminário, depende em grande parte, a continuidade e a fecundidade do ministério sacerdotal da Igreja.

Pe. Vânio da Silva
Reitor do Seminário Teológico de Florianópolis
E-Mail: pe.vanio@ig.com.br

 

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